Lula garante que não será candidato em 2010

Em entrevistas, presidente afirmou que povo tem que ter o direito de renovar os seus mandatários

Paulo Maciel, da Agência Estado,

29 de novembro de 2007 | 04h54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a garantir que não será candidato a um terceiro mandato em 2010. Em entrevistas concedidas ao SBT e à Rede TV!, ele disse que o PT - ou mesmo outro partido do governo - deve buscar um outro nome. "Primeiro, que a Constituição não permite; segundo, porque eu sou favorável à alternância de poder; terceiro, porque eu acho que a cada 4 anos, ou 8 anos, o povo tem que ter o direito prazeroso de renovar os seus mandatários", afirmou o presidente. Lula salientou que não há motivo para conflito entre os partidos que fazem parte da base governista. "O que nós precisamos é ter consciência de que precisamos construir uma candidatura única dos partidos que compõem a base, porque tem muito cargo para disputar", disse. Sobre a CPMF, o presidente afirmou ter a certeza de que a prorrogação será aprovada no Senado. "Os senadores que sabem qual é a destinação do dinheiro sabem perfeitamente bem que terão que votar favorável à prorrogação", argumentou. Segundo ele, existem apenas dois setores radicalizados contra o imposto, o Democratas, ex-PFL, "que não tem nada a perder e não tem perspectiva de futuro"; e alguns sonegadores. Ao ser questionado se o governo já teria os 49 votos necessários para aprovar o tributo, Lula foi enfático: "Eu acho que o governo terá maioria no momento em que ela (a prorrogação da CPMF) for votada".  Fernando Henrique O presidente foi irônico ao comentar a crítica feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante convenção do PSDB, FHC criticou "os que governam o Brasil e que desprezam a educação". "Possivelmente ele não esteja gostando que as coisas estejam acontecendo bem no Brasil. Se for isso, o tempo cura", alfinetou. Lula pediu mais tempo para fazer uma comparação entre o atual governo com o do ex-presidente. "Quando eu terminar o meu mandato, eu terei passado oito anos na Presidência e o presidente FHC terá passado oito anos, aí as estatísticas vão mostrar quem fez o quê pelo Brasil", afirmou. Defesa de gastos O presidente voltou a defender o aumento de gastos de seu governo. "O que eu acho é que se você quer melhorar o atendimento que o Estado oferece para a sociedade, você tem que contratar mais gente", reafirmou. Sobre o risco de impacto inflacionário provocado por um possível descontrole fiscal, Lula abusou do discurso em primeira pessoa. "Primeiro, que não há um brasileiro mais preocupado em controlar a inflação do que eu", vangloriou-se. Ele lembrou de ter enfrentado o período de descontrole inflacionário quando ainda era operário. "Portanto, ninguém neste País pode dizer que pode controlar a inflação mais do que eu", salientou. "Por isso fizemos o sacrifício que fizemos em 2003."  Venezuela Mais uma vez, o presidente Lula evitou fazer críticas ao colega venezuelano Hugo Chávez. Ele disse que a Venezuela está "conquistando uma cidadania" e afirmou torcer para que o referendo que decidirá sobre as reformas seja o mais democrático e transparente. "O que eu respeito, na verdade, é a soberania de cada país decidir aquilo que é melhor para ele", sustentou, referindo-se ao referendo que acontece no próximo domingo.

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