Lula flexibiliza ordem e deixa Dilma participar de campanha

Dilma aparecerá no programa de TV de Marta Suplicy e foi autorizada a ajudar a campanha do PT, em Curitiba

Vera Rosa, da Agência Estado,

30 Julho 2008 | 20h46

Depois de muita pressão do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concordou em abrir "exceções" na ordem dada à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para que não participe das disputas municipais. Dilma aparecerá no programa de TV da candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e foi autorizada a ajudar a campanha de Gleisi Hoffman (PT), em Curitiba. Além disso, poderá atender a pedidos de candidatos onde a base aliada do governo estiver unida, como é o caso de Niterói (RJ), em que o concorrente é do PT e o vice, do PMDB. Para evitar saia-justa com partidos da coligação e preservar do bombardeio sua favorita à sucessão presidencial, em 2010, Lula só havia liberado Dilma para subir em palanques no Rio Grande do Sul, Estado onde ela construiu sua carreira política. Os petistas, porém, convenceram o presidente de que será impossível tirar a chefe da Casa Civil da vitrine eleitoral em plena campanha, principalmente em locais estratégicos. A vitória na capital paulista, por exemplo, é considerada fundamental para o objetivo de o PT derrotar o PSDB nas eleições de 2010. São Paulo é tratada, nos gabinetes do Planalto, como a "jóia da coroa" e a disputa na capital é vista como prévia do embate que ocorrerá entre petistas e tucanos, daqui a dois anos, pela cadeira de Lula. "Pedimos ao presidente que abrisse uma brecha para Dilma porque ela é muito importante na campanha", afirmou Francisco Campos, integrante do Diretório Nacional do PT e responsável pela agenda de gravação dos ministros petistas no horário eleitoral. "Há muita demanda pela presença da Dilma nas cidades e a nossa sugestão, para evitar problemas, é que ela participe prioritariamente de campanhas onde não houver racha na base aliada". Campos disse que "dá para montar uma agenda para ela sem criar crise". Santana Com intensa programação na sexta-feira à noite em Porto Alegre, onde comparecerá ao lançamento da candidatura de Maria do Rosário (PT), e no sábado em Santa Maria e Caxias, Dilma gostou das "exceções" abertas por Lula. A chefe da Casa Civil disse ao presidente que quer ir a São Paulo, onde Marta está tecnicamente empatada com o tucano Geraldo Alckmin, e em Curitiba, cidade em que Gleisi Hoffman - mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo - ocupa o segundo lugar, embora esteja muito atrás do prefeito Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição que lidera com folga as pesquisas. Um detalhe une Dilma a Marta e a Gleise: o publicitário João Santana. Marqueteiro das candidatas do PT em São Paulo e em Curitiba, Santana é consultor do Planalto e tem ajudado a chefe da Casa Civil a adquirir jogo de cintura política para a campanha de 2010. Mais: já fez várias pesquisas sobre os pontos fortes e fracos da mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem trabalhado para torná-la mais sorridente e simpática. Lula e a campanha Apesar de ter cedido aos apelos do PT para liberar Dilma, Lula desagradou ao partido quando decidiu liberar o uso de sua imagem por candidatos aliados, quebrando o monopólio na seara petista. Na terça-feira, o presidente do PT da Bahia, Jonas Paulo, não se conteve e reclamou. Em visita a Salvador, Lula ouviu que o partido continuará a brigar na Justiça pelo direito de utilizar sua fisionomia com exclusividade em outdoors, cartazes e na propaganda da TV. Pela interpretação do dirigente, a Lei Eleitoral é clara ao proibir o compartilhamento da imagem, já que Lula é filiado ao PT. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), não quis entrar na polêmica. "A direção nacional do partido não tomou qualquer deliberação que pudesse determinar o comportamento das instâncias municipais nessa questão", desconversou Berzoini.

Mais conteúdo sobre:
Eleições municipais 2008Dilma

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.