Lula ficou 'chocado' com decisão de Garibaldi sobre MP 446

Presidente está convencido, no entanto, que Garibaldi, de uma forma ou de outra, vai ter de resolver a questão

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2008 | 20h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "chocado" com a atitude do presidente do Senado, Garibaldi Alves, de devolver ao Executivo a  Medida Provisória 446 que concedia anistia geral às entidades filantrópicas. A irritação do presidente Lula aumentou quando ele tomou conhecimento que, na hora do almoço, quando os dois estiveram juntos no Itamaraty, no encontro com o presidente coreano, a decisão de Garibaldi de devolver a MP já estava tomada.   Veja Também: Entenda a medida provisória 446, que anistia filantrópicas Garibaldi anuncia devolução ao governo da MP das filantrópicas   "O que mais deixou o presidente Lula chocado foi o fato do senador Garibaldi não ter tido a delicadeza de informá-lo do gesto que anunciaria mais tarde, cuja decisão já estava tomada, ainda mais que os dois tocaram no assunto, no encontro que tiveram", comentou um ministro. Neste encontro, Lula chegou a dizer a Garibaldi que se o Congresso quisesse aperfeiçoar a MP, que o fizesse, porque ela era importante para atender as filantrópicas. "Foi uma deselegância dele porque ele ouviu as ponderações do presidente e, mesmo já tendo decidido devolver a MP, já tendo até um parecer em sua mão pedido para tomar a decisão, não disse nada na conversa, surpreendendo o presidente", emendou o ministro. Segundo o presidente Lula foi informado, pela manha, Garibaldi já tinha pedido e tinha em mãos pareceres para respaldar sua decisão, assim como tinha tratado da sua intenção com senadores do DEM.   O presidente Lula está convencido, no entanto, que Garibaldi, de uma forma ou de outra, vai ter de resolver a questão porque, se até dia 31 de dezembro o benefício para as filantrópicas não tiver sido estendido, haverá uma romaria na porta do seu gabinete e ele vai ter de encontrar uma solução. Nas conversas de ontem, o presidente insistiu que entende que a decisão de Garibaldi não está amparada em ato legal. Mas, como o Senado não reagiu, o governo entendeu que a decisão de Garibaldi foi referendada. Ainda assim, o Planalto não fará nada, não emitirá nenhuma outra medida e lavará suas mãos, deixando que a pressão para a solução do problema seja feita sobre o Congresso.   O governo também não acha que esta posição de Garibaldi tenha qualquer relação com as disputas do PMDB pelas presidências da Câmara e do Senado. "É mais uma das decisões políticas, demagógicas e inusitadas do presidente do Senado", emendou outro ministro.

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