Lula ficou ´chateado´ com decisão de Jobim, afirma Tarso

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse na quarta-feira, 7, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "um pouco chateado" com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, e setores do PMDB que o apoiavam na disputa pela presidência do partido. Na terça-feira, 6, Jobim abriu mão da disputa alegando "interferência do governo" e "opção" de Lula pela reeleição do adversário, o deputado Michel Temer (SP). "Obviamente ele ficou um pouco chateado, porque pareceu que queriam atribuir ao presidente a retirada da candidatura Jobim", afirmou Tarso. "Não foi isso, foi uma série de acontecimentos, mas evidentemente aquela visita do Geddel pode ter sido uma gota d?água". Na segunda-feira, 5, o deputado Geddel Vieira Lima (BA), que pertencia à ala oposicionista, e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que apadrinha sua indicação para o Ministério da Integração Nacional, tiveram conversa reservada com Lula no Palácio do Planalto. O encontro deu origem a especulações de que Geddel seria anunciado ministro antes da convenção, contrariando o que desejava o restante do partido. Mesmo que o PMDB continue dividido após a convenção de domingo, Tarso garantiu que todos os setores serão contemplados na reforma ministerial, que só será anunciada após a eleição peemedebista. "Não há nenhum convite formalizado, mas há a garantia de que o setor da Câmara vá participar do governo, porque é o setor novo do PMDB, que está entrando agora no bloco da coalizão", completou Tarso, que esteve no acampamento da União Nacional dos Estudantes (UNE), no terreno da antiga sede da entidade. PACEm Brasília, os senadores peemedebistas aliados de Lula garantiram que a disputa interna no partido não vai contaminar as relações do PMDB com o Planalto a ponto de pôr em risco a aprovação do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). "Nossa disposição é acelerar tudo que tiver relação com o PAC e o Brasil", afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em conversas reservadas, porém, Renan se queixou do governo, revelando mágoa com o Lula pela "virada" em favor da reeleição de Michel Temer, depois de ter "inventado" a candidatura de Jobim. "O PAC não vai pagar o pato", brincou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RO), depois da reunião da bancada com os dois ministros peemedebistas - Silas Rondeau, de Minas e Energia, e Hélio Costa, das Comunicações - para discutir o programa. Na mesma linha, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), que fez sua estréia com o líder governista do Congresso em plena crise, admitiu que o incidente gerou desgaste, mas a "questão partidária" não deve acrescentar problemas à liderança. "Não acredito que isso seja uma coisa incontornável." Mais cauteloso, o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), avaliou que os ânimos estão muito acirrados e "só o tempo dirá" o tamanho da repercussão. "Temos de esperar baixar a temperatura da crise." Por sorte do governo, lembrou Jucá, o PAC está sendo apreciado pela Câmara e só deverá chegar ao Senado em três meses. "É um episódio partidário e minha relação com o presidente Lula é extremamente pessoal", desconversou o senador José Sarney (PMDB-AP), que também estava na linha de frente da campanha de Jobim. Nem ele nem Renan admitiram de público o abalo na relação do grupo com o Planalto. Difícil mesmo de contornar é a crise na relação de Renan e Sarney com Temer. "Se Michel for eleito, será presidente de uma parcela do PMDB", disse Renan. Mas a coesão do grupo já começa a fazer água. Indagado sobre a convenção, Hélio Costa não hesitou: "É claro que eu vou participar. Não tenho essa informação de que haverá boicote." (Colaborou Christiane Samarco)

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