Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Lula fecha campanha com ataque à imprensa

Em carreata no ABC ao lado de Dilma, presidente diz que 'tem gente que confunde liberdade com autoritarismo'

Gustavo Porto e Leonencio Nossa, Nacional

03 de outubro de 2010 | 03h24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou ontem a campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) com críticas à atuação da imprensa no processo eleitoral. Após participar ao lado de Dilma de uma carreata, ele elevou o tom das queixas e afirmou que setores da mídia foram autoritários.

"O País dá lições ao mundo de democracia e de liberdade de imprensa, mas é uma pena que tem gente que confunde liberdade com autoritarismo", disse. "Alguns setores não se deram conta de que as pessoas da senzala estão dentro da casa grande agora e precisam conviver democraticamente na diversidade."

Minutos antes, Lula e Dilma percorreram em carro aberto cerca de 3 quilômetros no centro de São Bernardo do Campo, berço político do presidente. A carreata saiu da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que Lula já dirigiu, e terminou em frente à Igreja Matriz, outro local simbólico nas lutas sindicais dos anos 1970 e 1980. No trajeto, militantes levantaram faixas para reclamar da imprensa, incentivados pelos duros discursos de Lula nas últimas semanas contra veículos de comunicação. O escândalo que derrubou Erenice Guerra, ministra da Casa Civil acusada de tráfico de influência, foi o estopim para a nova turbulência na sempre tensa relação do presidente com a imprensa. Ele acusou veículos de comunicação de cobrirem o caso com interesses partidários.

Na entrevista após a carreata, Lula avaliou que Dilma tem "muita chance" de ganhar a eleição no primeiro turno e ironizou os adversários. "Apenas nós fizemos campanha de rua, comícios, porque os outros candidatos utilizaram apenas o espaço na televisão, certamente preocupados em não ter a receptividade do povo que nós tivemos."

Assim como na campanha, Lula comandou a festa petista. Mas não escondeu certo cansaço, ao contrário de Dilma, sempre sorridente. Em um trecho do percurso, Lula e Dilma se assustaram com fotógrafos que subiram em marquises para obter imagens. "Gente, vai cair, sai daí!", alertou Dilma. Ela e Lula passaram boa parte do trajeto segurando uma bandeira do Brasil.

Futuro. Além de apostar na vitória de Dilma, Netinho e Marta Suplicy e na ida de Aloizio Mercadante ao segundo turno, Lula disse que viajou mais na campanha da ex-ministra do que em 2006, quando foi reeleito. Ao lado de Mercadante, criticou os quase 16 anos de governo tucano em São Paulo. "É uma vergonha que depois de tantas décadas no poder eles não apresentem nenhuma política social para São Paulo."

Lula afirmou que sairá do governo "com a consciência tranquila". "Nós não fizemos tudo o que era necessário fazer, mas fizemos muito mais do que já foi feito em qualquer outro momento da história do Brasil", disse, admitindo que terá "problemas" com o fim do mandato. "No dia 1.º de janeiro será problema. Muita festa para a posse da Dilma e espero que do Aloizio Mercadante. Para mim, vai ser uma incógnita, porque não sei o que vai acontecer a partir do dia 2, pois vou levantar de manhã e não vou ter mais ninguém para xingar."

O presidente vota hoje entre 9 e 10 horas, na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo. Depois deve seguir para Brasília, onde acompanhará, ao lado de Dilma, a apuração no Palácio da Alvorada.

 

 

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