Lula faz pronunciamento e destaca economia do país

Veja a seguir a íntegra dopronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em redenacional de rádio e TV nesta quinta-feira. Minhas amigas e meus amigos, Há 185 anos o Brasil nascia como nação independente.Podemos dizer que, nos dias de hoje, também está nascendo umnovo Brasil. Um Brasil que não é resultado apenas do trabalhode um presidente ou de um governo, mas do esforço de todos osbrasileiros e brasileiras. Um esforço acumulado de muitos anose que encontra, agora, seus melhores resultados e sua melhorexpressão. É sobre este nascimento, sobre a felicidade e asdores deste parto, que quero refletir com vocês, na véspera doSete de Setembro. Passamos, hoje, por uma grande transformação. Mas nemsempre quem participa de um momento histórico percebe toda asua amplitude. Ao contrário, muitas vezes enxerga com maisfacilidade as dificuldades passageiras do que os efeitos maisprofundos e permanentes da mudança. O Brasil vive hoje umperíodo de solidez econômica e política. Mais do que isso: viveum amplo movimento de inclusão social, de uma intensidade nuncavista. Mais de 8 milhões de brasileiros saíram da linha demiséria. O crescimento se espalha por todos os setores e portodo o país. A renda aumenta, o emprego cresce, o investimentose amplia, o credito se multiplica, o consumo aumenta. Nossopaís reforça sua presença no mundo e assume a vanguarda emsetores estratégicos, como o dos biocombustíveis. Estas sãoalgumas das muitas e muitas conquistas que temos obtido. Porisso, neste Sete de Setembro, quero dizer a todos vocês que hámotivos de sobra para ter fé no Brasil. Mas quero dizer também que há motivos de sobra para não nosacomodarmos; e para cobrarmos mais resultados de todos ossetores da vida nacional. Sou, hoje, o brasileiro maissatisfeito e o mais insatisfeito deste país. Sou o maissatisfeito porque estou tendo a honra de liderar um processomuito especial de transformação do nosso querido Brasil. E souo mais insatisfeito porque estou convencido de que podemosandar ainda mais rápido e melhor. Estou satisfeito porque ogoverno tem bons projetos para promover o avanço social, oavanço econômico e o avanço tecnológico. E faz isso com umrespeito, cada vez mais rigoroso, com o meio ambiente, comomostra a redução em 44 por cento do ritmo de desmatamento naAmazônia. Estou satisfeito porque temos novos programasmodernos e abrangentes como o PDE, na educação; como oPronasci, na área da segurança; como o PAC nas áreas doincentivo à produção, ao crescimento e à ampliação dainfra-estrutura; e estamos elaborando, agora, importantesmedidas para amenizar problemas na área da saúde. Isso vaisignificar, entre outras coisas, 504 bilhões de reais eminfra-estrutura logística e social, trazendo uma revolução emmatéria de estradas, portos, aeroportos, transportes, energia,habitação, saneamento básico e água potável. Vamos ter mais 10bilhões de reais na educação, ampliando as mudanças que jáestão sendo feitas, como a criação de 214 escolas técnicas, 10novas universidades federais e 48 novas extensõesuniversitárias no interior. Tudo isto me deixa muito satisfeito. Mas estou insatisfeitoporque ainda há uma forte dívida social a resgatar com os maispobres. A classe média ainda enfrenta dificuldades e hámelhorias profundas a serem feitas no serviço público eatitudes modernizadoras a serem adotadas no setor produtivo.Precisamos diminuir, como estamos fazendo, as desigualdadesentre as pessoas e as regiões; derrubar barreiras à produção eao crescimento; e ter a coragem para avançar, ainda mais, noterreno da ética e do combate à impunidade, em qualquer estratoeconômico, social ou político. Esta coragem e este esforçonosso governo vem tendo. E estamos colhendo os frutos doces eamargos desta semeadura. Minhas amigas e meus amigos, Vivemos um ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado.Sustentado economicamente, porque a inflação está sob controle,a situação fiscal equilibrada e as contas externas vivem ummomento espetacular. Isso significa mais emprego e mais comidana mesa. Em apenas sete meses deste ano criamos 1 milhão e 200mil empregos com carteira assinada. Um número maior do que emtodo o ano passado. A miséria está diminuindo: nos últimosanos, 7 milhões de brasileiros entraram na classe média. O PIBcresce há 21 trimestres consecutivos, o consumo das famílias há14 trimestres consecutivos e o comércio varejista atingiu, noprimeiro semestre, o seu recorde histórico de crescimento.Precisamos e vamos crescer ainda mais. Mas isso não significaque possamos baixar a guarda na luta contra a inflação. Aocontrário, é tempo de vigilância e alerta permanente. Só assimteremos força -- como estamos tendo -- para enfrentar os abalosexternos e os problemas internos. Estamos igualmente vivendo um ciclo socialmente sustentado,porque ao contrário de outras épocas, agora não há arrochosalarial e exclusão social. O poder de compra do salário mínimodobrou. Noventa e sete por cento das negociações coletivasestão ocorrendo com ganhos salariais iguais ou superiores àinflação. Mas isso não significa que possamos nos descuidar dosmais pobres e do aperfeiçoamento e ampliação de nossaspolíticas sociais, consideradas, com muita razão, das melhoresdo mundo. Estamos vivendo, igualmente, um ciclo politicamentesustentado. O país desfruta de um regime democrático pleno, asinstituições funcionam, os movimentos sociais participam dasdecisões, a imprensa é livre e os direitos individuais sãorespeitados e garantidos. Mas isso não significa que possamostrocar o diálogo pela aspereza política; que as maiorias nãorespeitem as minorias; e que os poderes não busquem umaconvivência ainda mais harmônica e democrática. Minhas amigas e meus amigos, Estamos lutando por um Brasil sem pobreza, sem privilégios,sem discriminações e sem divisões. Um país de oportunidadesiguais para todos. A melhor forma para um país crescer é fazercom que cada vez mais gente saia da pobreza, ingresse nomercado e conquiste a cidadania. E criar, ao mesmo tempo,instrumentos para que a classe média se fortaleça e se realize.Nenhum país do mundo pode crescer sem estimular, fortemente, oespírito empreendedor da classe média. Mas devemos tambémentender que quanto menor for o número de pobres e maior omercado de massa, melhor será este país. Haverá mais emprego,segurança, riqueza, poder de consumo e paz social para todos.Repito: para todos. O novo Brasil que está nascendo das mãosdos brasileiros não é um Brasil para poucos, mas para muitos.Não é só para os que apóiam o governo, mas para todos queapóiam a nação. Não é só para as gerações de hoje, mas tambémpara as gerações de amanhã. Um Brasil que respeita o serhumano, respeita a natureza, respeita os valores morais erespeita a grandeza de Deus. Tenho fé no Brasil. Viva o Sete deSetembro! Muito obrigado e boa noite.

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