Amanda Perobelli / Reuters
Amanda Perobelli / Reuters

Lula faz nova rodada de conversas com Centrão e recebe dirigentes do PSD, PL e Solidariedade

Os presidentes do PSD, Gilberto Kassab, e do Solidariedade, Paulinho da Força, e o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), foram ao hotel onde o petista se hospeda em Brasília

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 20h58

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira, 5, novas reuniões com dirigentes de partidos do Centrão, grupo que hoje está na base do presidente Jair Bolsonaro. Os presidentes do PSD, Gilberto Kassab, e do Solidariedade, Paulinho da Força, e o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), foram ao hotel onde o petista se hospeda em Brasília.

Na tarde desta quinta-feira, 6, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai receber Lula. O mineiro foi eleito para o comando da Casa Legislativa tanto com o apoio do PT quanto de Bolsonaro.

"Ele está muito preocupado com essa coisa do auxílio emergencial, com a crise econômica que está muito profunda, falou muito sobre isso. Eu que entrei um pouco nesse assunto de 2022, o partido está independente, não está no governo. Vamos ver como a gente trabalha para a frente", afirmou Paulinho da Força ao Estadão.

Paulinho visitou Lula acompanhado do deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), que era aliado do governo e tinha apadrinhados em cargos no Ministério da Agricultura. Os indicados do deputado foram demitidos após o partido decidir não apoiar Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara.

"O partido hoje está na independência. Estava brincando aqui se até os partidos do governo estão vindo aqui, nós da independência não temos porque não conversar", afirmou Paulinho, referindo-se aos integrantes do PSD e do PL que conversaram com Lula.

Durante a conversa, Kassab não se comprometeu a oferecer o apoio do PSD para Lula em 2022. O presidente partidário tem batido na tecla que o partido vai ter candidato próprio a presidente da República no ano que vem. Outros dirigentes do Centrão enxergam neste gesto uma estratégia para que o PSD não se comprometa com nenhum apoio antecipado para eleição de 2022 e possa definir uma posição quando um favoritismo estiver mais claro na disputa pelo Planalto.

O local onde o petista está hospedado virou uma espécie de bunker político do ex-presidente. Ele está na capital federal desde segunda-feira, 3,  e já se reuniu com os deputados Marcelo Freixo (Psol-RJ), Alessandro Molon (PSB-RJ), os senadores Jader Barbalho (MDB-PA), Otto Alencar (PSD-BA), Kátia Abreu (Progressistas-TO), o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia sempre foi um crítico de Lula e do PT, mas começou uma aproximação com o partido após não ter conseguido emplacar seu aliado, Baleia Rossi (MDB-SP), como seu sucessor na presidência da Câmara. Baleia teve o apoio de partidos de oposição a Bolsonaro, ao passo que Arthur Lira (Progressistas-AL), eleito para comandar a Câmara até 2023, teve o apoio do governo.

Em 2016, durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Maia disse: "Pela minha família, mas principalmente pelo meu pai, que, quando prefeito do Rio, prefeito César Maia, foi atropelado pelo governo do PT. O PT rasga a Constituição no Rio e rasga a Constituição aqui".

Além da disputa nacional, Lula também está focado em construir uma frente ampla para as eleições no Rio de Janeiro. No cenário desenhado pelo petista e aliados, Marcelo Freixo seria candidato ao governo do Rio e Alessandro Molon candidato ao Senado. O PSD, que vai filiar Eduardo Paes e deve receber Rodrigo Maia, também é desejado na composição. Em entrevista ao Estadão, Paes defendeu o nome do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, para governador do Rio, mas também elogiou o deputado Marcelo Freixo.

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