Lula faz discurso inflamado e é aplaudido por delegados da CUT

Com um discurso bastante inflamado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reverteu a situação constrangedora de sofrer vaias dos delegados que participam do 8º Congresso Nacional da CUT, para ser aplaudido de pé, inclusive pelos segmentos mais insatisfeitos. "Podem estar certos que nós vamos fazer a economia mudar, o País crescer, gerando empregos e renda, e vamos fazer as reformas", disse, sendo interrompido por vaias da parte dos 2.735 delegados presentes no encontro. "Não me preocupo com vaias, porque a vaia é tão importante quanto os aplausos. Teve gente que me vaiou porque eu queria formar o PT e também a CUT", rebateu. "Ao invés dos ilustres companheiros fazerem faixa e vaiar, seria melhor dizerem o que querem", complementou, sendo, em seguida, aplaudido de pé pelos participantes do evento. Lula garantiu ainda que, durante todo o seu mandato como presidente da República, vai participar de todos os congressos nacionais da CUT. "Não foi pouco o que fizemos até o momento na área de política externa", afirmou Lula, lembrando que sempre houve no Brasil resistência a uma maior integração do País com as Américas do Sul e Latina. "E nós estamos realizando a integração latino-americana", ressaltou, ao lembrar que este processo envolverá a integração cívica, por meio de interligação de infra-estrutura como rodoviária e ferroviária. "A integração é a forma mais fácil para os países ricos nos ouvirem, pelo menos parte das nossas queixas, e pararem com os seus subsídios", justificou. Lula rebateu ainda as acusações de críticos, após sua eleição no ano passado, de que a política externa do Brasil poderia ser comprometida pelo fato de ele não falar outros idiomas. "Não preciso falar inglês para ser respeitado no mundo. Tenho que falar português, pura e simplesmente, a língua de 175 milhões de brasileiros." O presidente comentou que no fim de semana, durante sua participação na reunião do G-8 (grupo dos oito países mais ricos do mundo e a Rússia), ele sugeriu uma maior proximidade dos países em desenvolvimento. "Eu disse para os presidentes da Índia, da Rússia, da China e da África do Sul que nós não precisamos ser convidados pelo G-8 para apresentarmos nossas necessidades. Sozinhos podemos ter uma política de troca e, fortalecidos economicamente, seremos chamados ao G-8 para negociarmos com ele", afirmou.Lula ressaltou aos delegados da CUT que ele continua sendo a mesma pessoa, "companheiro, torneiro mecânico e nordestino de Pernambuco" e que não esqueceu de nenhum dos seus compromissos políticos históricos. "Se alguém teve vergonha do que foi, eu não. Não tive, não tenho e nunca terei."

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