Lula faz críticas às privatizações de governos anteriores

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou seu discurso na abertura do 16º Salão Internacional do Transporte - Fenatran, nesta noite, para enaltecer o resultado do leilão de concessão de rodovias federais, que aconteceu na última terça-feira, na Bolsa de Valores de São Paulo. Lula atacou a forma como os governos anteriores fizeram a privatização, fazendo analogias entre a economia do País e um doente. "Quando o paciente está moribundo é que os oportunistas, imaginando que não tem salvação, oferecem propostas abusivas. E, se está moribundo, não tem o direito de reagir", comparou, em alusão às privatizações realizadas durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para diferenciar o atual momento, Lula disse que, desta vez, os leilões foram feitos num país com a economia "totalmente estável", e que foram dados passos "extraordinários" para consolidar um novo ciclo de desenvolvimento, "que, se depender de mim, será longo". Lula também destacou as regras do leilão da semana passada. "Pudemos abrir para a participação de empresas estrangeiras, até porque era importante para a gente nivelar a boa intenção dos participantes", afirmou. No leilão a grande vencedora foi a espanhola OHL, que ficou com cinco dos sete lotes colocados em disputa. O presidente disse ainda que já estava cansado de ouvir críticas com relação ao modelo de concessões. "Cansei de ouvir críticas, de ouvir gente dizer que não ia mais acontecer, que não ia dar certo, que ia ser um fracasso. E, por último, pessoas disseram que não iam aparecer empresas para participar do leilão". O discurso de Lula aconteceu após o presidente passar mais um hora percorrendo os estandes da feira, que acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, ao lado dos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento), Luis Marinho (Previdência) e Franklin Martins (Comunicação Social),além dos presidentes da Anfavea, Jackson Schneider, e do BNDES, Luciano Coutinho. Lula abriu seu discurso enaltecendo a indústria automotiva brasileira e disse que as coisas mudaram em relação ao passado, porque o "Brasil está encontrando seu caminho". "Durante décadas, (o Brasil) deu sinais de que ia dar uma salto de qualidade, mas era sempre um pulinho", ironizou. Segundo Lula, essa evolução não é mérito apenas do seu governo, mas "das empresas, seus executivos e de milhões de trabalhadores brasileiros. Lula reclamou da falta de sintonia que existia entre a imagem que o Brasil possuía no exterior e o que se ouvia dentro do próprio País. Segundo ele, ainda há um "agrupamento de pessoas" que instem em não repassar o cenário positivo da economia brasileira. Foi então que o presidente introduziu a questão da necessidade da aprovação da CPMF pelo Congresso Nacional. "Agora, a discussão é se vai ter ou não a prorrogação da CPMF. Qualquer cidadão brasileiro sabe que neste país não houve aumento de nenhum imposto (em seu governo), a não ser o do IPI" Sobre a viagem que fará nas próximas horas, Lula também foi incisivo, dizendo que a visita a países africanos é uma forma de expandir o desenvolvimento da economia. "Por isso que temos que andar. E não só para países ricos. Estou indo à África vender o que agente produz e também procurar parcerias, porque o Brasil tem total condição de competir e vencer. Para isso, é preciso coragem, e botar o pé na estrada". Após o encerramento da cerimônia de abertura da Fenatran, Lula se deslocou para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, de onde partirá para Burkina Fasso, na África. Trata-se da primeira escala e de sua sétima viagem ao continente. Depois de Burkina Fasso, o presidente ainda visitará os países República do Congo, África do Sul e Angola. Lula viajará acompanhado de empresários - representantes das áreas de energia, construção, indústria aeronáutica e finanças. A agenda de quatro dias inclui a assinatura de acordos bilaterais e a participação na 2ª Cúpula do Foro de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS). O retorno de Lula ao Brasil está agendado para o dia 19. Durante o período que estiver fora do País, o vice-presidente, José Alencar, assume a Presidência da República.

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