Lula faz crítica indireta a Serra, ao casal Garotinho e a Cesar Maia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou indiretamente os prefeitos de São Paulo, José Serra; do Rio de Janeiro, Cesar Maia; e a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, e seu marido, Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à sucessão presidencial. Lula afirmou que um programa do governo federal para ajudar jovens a voltarem a cursar o ensino fundamental, com remuneração de R$ 120 mensais, o Pró-Jovem, teve 30 mil inscritos no município de São Paulo mas não funcionou "porque depende muito da prefeitura".No município do Rio de Janeiro, também de acordo com ele, o número de inscritos superou em muito a quantidade de jovens que de fato voltaram a cursar o ensino fundamental por meio desse programa. Ele afirmou que não são verdadeiras as críticas de que o governo federal destina poucos recursos para o Estado do Rio de Janeiro. O prefeito Cesar Maia já chegou a se lançar sua pré-candidatura à presidência pelo PFL, além de ser aliado de José Serra (PSDB.De acordo com ele, contando todas as transferências, incluindo as obrigatórias, os recursos transferidos pelo governo federal equivalem a 54% de todo o dinheiro do governo do Estado. "Só em programas sociais são R$ 766 milhões por ano que o Estado do Rio recebe", disse. Segundo Lula, o governo federal queria fazer o programa Bolsa Família junto com o governo e a prefeitura do Rio de Janeiro, "mas não foi possível". Ele disse também que o governo federal trabalhou pelo renascimento da indústria naval no Rio e lembrou a licitação da Transpetro, empresa federal, para a construção de navios. "Mas tem gente que diz que não é nossa (iniciativa), que é deles. Não quero saber quem é o pai da criança, quero saber quem é que cuida da criança", disse Lula, referindo-se a uma da bandeiras da Garotinho. Clima de campanhaEle afirmou ainda que "tem gente que não está gostando da gente estar aqui", mas continuou: "é a mesma gente que deixou esse esqueleto (do Hospital Geral de Queimados), há 20 anos paralisado", disse Lula em evento na frente da construção, após assinar convênio destinando R$ 40 milhões para terminar a construção do hospital, paralisada nos anos 90.Lula voltou a lembra que o Brasil pagou sua dívida com Fundo Monetário Internacional (FMI) e foi muito aplaudido. Nesse momento, seu discurso foi interrompido com gritos de "Brasil pra Frente, Lula presidente". Antes de iniciar o discurso Lula foi saudado com gritos de "ão-ão-ão, queremos Reeleição".De acordo com ele, existem pessoas "que vão dizer que esse ato de Queimados é campanha eleitoral". Lula argumentou que se ele não fizesse o evento "era campanha eleitoral para eles; se eu faço é campanha eleitoral para mim". Ele concluiu que "entre fazer para eles e para nós, melhor fazer para nós aqui".Lula disse, em entrevista, que é natural que os seus adversários classifiquem como eleitoreiras suas participações em inaugurações. "Ainda vou viajar e inaugurar muito", disse o presidente, ressaltando que não age como candidato, ao contrário de "alguns dos meus adversários". O presidente não quis comentar os números da última pesquisa do Ibope, em que aparece na liderança na corrida presidencial, argumentando que "pesquisas são um retrato que podem mudar". Em discurso para os funcionários do Inmetro, o presidente prometeu, ao lado dos ministros da Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, anunciar um plano de carreira para o instituto até março. O presidente deixou o centro operacional do Inmetro, em Duque de Caxias, na Baixada fluminense, onde visitou laboratórios e conversou com funcionários. Ele deixou o Inmetro de helicóptero em direção à base do Galeão onde vai embarcar para Rio Branco, no Acre.

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