Lula faz campanha com Dilma; depois encontra FHC

Festa da Previdência serviu para promover ministra como candidata em 2010; à noite, solenidade em sinagoga põe presidente entre tucanos

Clarissa Oliveira e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

Rodeado por deputados, senadores, ministros e militantes do movimento sindical, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou ontem à tarde de solenidade em São Paulo em comemoração dos 86 anos de instituição da Previdência Social no Brasil. O evento foi mais uma oportunidade para promover a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata preferida à sua sucessão em 2010. À noite, o presidente participou ao lado de Dilma de outra cerimônia, mas dessa vez teve de dividir espaço com vária personalidades do tucanato, entre elas o governador José Serra, que pretende ser o adversário da petista na disputa pela Presidência, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.Na solenidade da tarde, o presidente aproveitou para lembrar os tempos em que era dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. "Eu amarguei muito tempo nas filas", disse em discurso, ao contar que na época cuidava justamente da abertura de processos na Previdência Social. Lembrou que tinha apenas um terno para vestir nas ocasiões em que tinha de ir até a sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).As atenções no evento, contudo, mais uma vez estavam voltadas para Dilma. De olho na eleição presidencial de 2010, ela investiu no discurso típico de candidata e discorreu sobre temas como inclusão social e combate à burocracia."Penso que uma característica muito importante do nosso governo é a inclusão social. A inclusão social que conseguimos através do Bolsa-Família, através de todo o processo de desenvolvimento econômico que temos sustentado ao longo destes anos e sobretudo agora, diante da crise", disse. Além de Lula e do ministro da Previdência, José Pimentel, a ministra foi a única a ganhar o direito de discursar.HOLOCAUSTOMais tarde, em meio a uma plateia em que se destacavam tucanos como Serra, Fernando Henrique, o vice-governador Alberto Goldman, o secretário da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira, além do prefeito Gilberto Kassab, Lula e Dilma participaram da cerimônia do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, em uma sinagoga em São Paulo. O governador da Bahia, Jaques Wagner, também marcou presença, bem como secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannucchi.Em rápido discurso, Lula lembrou os horrores da perseguição nazista. Mas observou que a sociedade no mundo "tem dado importantes passos na superação dos preconceitos", apontando a eleição de Barack Obama nos EUA como exemplo.Sem se permitir improvisos diante da comunidade judaica, o presidente seguiu à risca o discurso lido no papel e citou o Brasil como exemplo de combate aos preconceitos. "Somos uma das poucas democracias do mundo em que para o racismo não existe nem fiança nem prescrição." E terminou sua fala ressaltando a posição "pacificadora" da diplomacia brasileira no conflito entre Israel e palestinos.

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