Lula faz balanço do primeiro ano do Fome Zero

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que, no primeiro ano de existência, o Fome Zero venceu o ceticismo mostrado por algumas pessoas que afirmavam que o programa não tinha razão de ser. Segundo o presidente, o programa atende hoje a 1,9 milhão de famílias em 2.238 municípios no País. Lula disse que o primeiro semestre do ano passado foi dedicado à organização do Fome Zero. "Nesse período, o companheiro Graziano (ex-ministro da Segurança Alimentar) recebeu todas as críticas que um governante tem que receber. Depois de junho, quando estavam criadas as bases do programa, os gráficos mostraram que o Fome Zero subiu praticamente em uma linha reta. A gente saiu de 300 municípios para 1.200 municípios em três meses", afirmou o presidente, durante a cerimônia em comemoração ao primeiro ano de funcionamento do programa e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar.O presidente disse que o Fome Zero, neste ano, fez mais do que a estrutura do ministério permitia. "E fez porque a sociedade civil acreditou. Fez porque companheiros do Brasil inteiro, muitas vezes no anonimato, ao invés de pararem para criticar o que faltava fazer, iam fazer o que era possível naquele momento. Um plano como esse somente poderia dar certo se a sociedade assumisse para si a responsabilidade", acrescentou.A criação do Bolsa Família, que unificou todos os programas sociais do governo, enfrentou, segundo Lula, o desafio de unificar os cadastros que cuidavam das políticas sociais do Brasil. O presidente disse que os cadastros eram pouco confiáveis, e foi preciso muito trabalho para adequá-los à realidade. "Tinha pouca gente recebendo mais do que tinha direito e tinha muita gente que não recebia nada", afirmou o presidente. Ele disse que o Bolsa Família atingiu a meta proposta para 2003, de atender a 3,6 milhões de famílias que recebem, em média, R$ 72,50 por mês. Segundo Lula, o programa ganhou força não só no Brasil, mas em todo o mundo. Ele lembrou que levou o assunto a fóruns mundiais e a reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU), onde propôs a criação de um fundo para o combate à fome no mundo. "Não tenho a ilusão de que nós vamos conseguir, no mês que vem, criar um fundo internacional. O que é preciso é que aqui a gente vá fazendo a nossa parte. Porque é o cumprimento da nossa obrigação que nos dá autoridade moral para começar a cobrar de outros que cumpram com as suas", disse.Os recursos para o fundo de combate à fome poderia vir, segundo Lula, de um pequeno porcentual sobre todas as operações financeiras internacionais. "Não sei se é isso, mas é uma idéia", afirmou. Lula disse que vai enviar cartas aos presidentes de todos os países do mundo pedindo sugestões e fazendo propostas sobre a criação do fundo de combate à fome. "Não quero ser o pai da criança, quero ver o resultado final, que é o combate à fome no mundo. Ou nós criamos um movimento político para transformar esse programa social da fome em um problema político ou será muito mais difícil", avaliou. As informações são da Agência Brasil.

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