Lula fala sobre sua relação pessoal com Bush

Perguntado ontem se gosta pessoalmente do presidente George W. Bush, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que se dá bem com o líder americano mas esquivou-se de dar uma resposta direta. "Olha, se você quer saber, eu gosto mesmo é da dona a Marisa Letícia Lula da Silva", disse ele, numa entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Washington. "O fato de nós sermos pessoas com pensamentos ideológicos diferentes não implica que não sejamos civilizados a ponto de nos entendermos em coisas que interessam aos nossos países". Lula explicou que governa o Brasil "com o pensamento na melhoria da qualidade de vida do povo", sabe da "importância que os Estados Unidos tem na sua relação cultural, comercial, econômica com o Brasil" e quer "trabalhar isso com muiito carinho porque os EUA são o nosso maior parceiro individual há muito anos e queremos aumentar essa relação". O presidente afirmou que acredita, "da mesma forma, que o presidente Bush esteja vendo no Brasil um parceiro importante, não apenas nas questões econômicas, mas no combate ao narcotráfico, ao terrorismo", porque sabe "o peso que o Brasil tem na manutenção da paz na América do Sul, da tranqüilidade nas relações internacionais". "Por isso nos damos bem", disse. "Não é uma relação apenas pessoal. É uma relação de dois chefes de Estado que têm interesses muito importantes para os povos de seus países; é isso que nos move". Lula acrescentou que "pessoalmente", está "convecido de que nós temos a chance de fazer a mais perfeita relação entre o Brasil e os Estados Unidos" disse ele. Mas, ao explicar as razões dessa convicção, ele sinalizou que confia na sinceridade de propósitos de Bush. "Acredito que quando dois seres humanos são sinceros nas suas relações, acreditam naquilo que estão falando, têm convicção de propósito, as coisas podem ser muito melhor". Lula deu como exemplo a melhoria do relacionamento do Brasil com seus vizinhos da América do Sul e citou o fato de que é o primeiro presidente de uma país não-andino a ser convidado para uma reunião de cúpula do grupo. "O Brasil não quer ter uma relação hegemônica com seus parceiros, quer ter uma relação de parcerias", disse. "E cabe ao país que seja maior, que tenha uma economia mais forte, ter generosidade no trato com seus parceiros mais frágeies. Eu disse ao presidente Bush que a gente aprende isso numa luta de box. O boxeador que nocauteia o outro, é que tem que ter a humildade de ir lá e abraçar aquele que está caído. Na relação política é a mesma coisa. Aqueles que são mais fortes na economia, aqueles que têm mais força política é que precisam ter generosidade com aqueles mais frágeis, até porque cabe a nós fazermos um esforço para que todos comecem a ter oportunidade". Para ler mais sobre a cúpula Brasil-EUA: » Lula e Bush, envolvidos na negociação da Alca » Lula e Bush elevam patamar de diálogo entre Brasil e EUA » Palocci considera factível queda dos juros para um dígito » Lula comenta nos EUA a morte do segurança de seu filho » Lula diz que redução da taxa de juros é sonho pessoal » Palocci e Snow criam grupo de trabalho para crescimento » Transgênicos e parcerias são destaques na cúpula Brasil-EUA » Lula e Bush trocam elogios » Lula e Bush se reúnem na Casa Branca Os preparativos » Alca é prioridade para autoridades do Brasil e dos EUA » Brasil e EUA assinarão cinco acordos » EUA e Brasil deverá liderar a criação da Alca » Após ver Bush, Lula terá encontro com o chefe do FMI

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