Lula fala sobre Battisti com líder da oposição italiana

Principal partido de centro-esquerda na Itália é favorável à extradição do ex-ativista

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

15 de novembro de 2009 | 18h23

Antes de participar das reuniões prévias à Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma audiência com o ex-presidente do Conselho Italiano, Massimo D’Alema, na tarde deste domingo, 15.

 

Na reunião, fechada à imprensa e realizada no Hotel Hassler, que hospeda a delegação na capital italiana, o chefe de Estado brasileiro o ex-líder comunista italiano, hoje deputado do Partido Democrático (PD), discutiram os rumos da esquerda no mundo.

 

Questionado pela imprensa, D’Alema admitiu que o futuro do ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti também foi debatido. O PD, principal partido de centro-esquerda italiano, é favorável à extradição, que vem sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. “O presidente me explicou que a questão está nas mãos dos magistrados. Caberá à magistratura decidir nos próximos dias”, relatou D’Alema.

 

O deputado argumentou ainda sobre sua posição, favorável à extradição: “É uma pessoa condenada em nosso país e é justo que cumpra a pena em nosso país. É normal. Ele está condenado por graves crimes, não por razões políticas”.

 

No sábado, 14, ainda em Paris, Lula disse aos jornalistas qual será seu procedimento caso o STF ordene a extradição do ex-ativista de extrema esquerda italiano Cesare Battisti, ex-membro do movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). “O presidente da República do Brasil pouco pode fazer quando o processo está nas mãos da instância superior da Justiça brasileira”, disse. “O processo sobre Battisti está no Supremo Tribunal Federal e eu tenho de esperar a decisão da suprema corte para saber se sobra alguma coisa para o presidente da República fazer.”

 

Lula ainda fez brincadeira sobre a greve de fome iniciada por Battisti no Brasil: “Eu diria a ele para não fazer greve de fome, porque eu já fiz e é ruim”.

 

Nesta segunda-feira, 16, o tema também deverá ser evocado na reunião bilateral entre Lula e o presidente do Conselho, Silvio Berlusconi. 

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