Lula fala como candidato em Viracopos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso típico de candidato à reeleição ao participar do evento para o lançamento do edital de licitação do projeto aeroporto industrial, no Aeroporto de Viracopos em Campinas, a 90 quilômetros da Capital. Recebido por uma platéia composta principalmente por moradores da região, que pediam sua reeleição, Lula discursou de improviso por cerca de 40 minutos, e exaltou temas como as condições de vida da população mais carente e a necessidade, de investir em educação para transformar o Brasil em uma grande nação e a importância de manter o controle inflacionário em benefício dos trabalhadores.Durante o evento, Lula chegou inclusive a falar de forma direta da possibilidade de se candidatar novamente ao cargo, ao dizer que gostaria de retornar à região para ver o resultado dos projetos previstos para o Aeroporto.Ao se dirigir ao prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, Lula afirmou: "Eu tenho fé em Deus, Hélio, de que você, eu sendo o presidente ou não, vai me convidar para vir aqui, para a gente poder mostrar a este povo, o aeroporto pronto, as empresas progredindo e eles morando decentemente", disse o presidente, após ter ouvido ao longo do evento gritos como "um, dois três, Lula outra vez".Ao comentar a questão inflacionária, Lula fez a questão de colocar a classe trabalhadora, no centro da questão. "Quem quer a inflação alta neste país é quem vive de especulação. Ao trabalhador brasileiro que recebe o salário no final do mês, a ele não interessa a inflação, porque corrói o seu poder de compra".Lula também dedicou boa parte de seu discurso a avanços que vêm sendo feitos pelo seu governo na área da educação. Nenhuma nação será grande, se não tiver investimento forte em educação", disse o presidente atribuindo a ele próprio e as suas origens, o sucesso alcançado até agora. " Não é à toa, que eu dizia que era preciso chegar um metalúrgico à Presidência para cuidar da educação deste País".EspaçoLula também ajudou a confirmar a idéia publicada ontem por um determinado jornal, de que "estaria Fazendo campanha no espaço. Durante o discurso, Lula disse ter sentido uma das maiores emoções de sua vida, depois de ter conversado ontem com o astronauta Marcos Pontes. Segundo ele, "o Brasil vem reivindicando há muito tempo o direito de fazer pesquisa no espaço, o que justificou o esforço do governo federal para tornar a viagem do astronauta brasileiro uma realidade".Lula esteve hoje no evento em Viracopos acompanhado do Senador Aloizio Mercadante, do ministro da Cidade, Márcio Fortes e da presidente finlandesa, Tarja Halwdenen. Além de lançar o edital de licitação, o evento serviu de palco para a assinatura de um documento propondo um novo posicionamento para a construção da 2ª pista do aeroporto de Viracopos - há vários anos, o governo enfrentava dificuldades para licitar a construção da nova pista, devido as necessidades de desapropriação da área prevista inicialmente para a obra. Lula disse ter atendido o pedido do prefeito campineiro e para buscar uma alternativa que não exigisse a realocação das famílias que vivem na região.Crítica a AlckminO presidente fez hoje uma série de críticas indiretas ao seu provável adversário na corrida presidencial deste ano, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). No discurso, Lula citou a questão da Febem, vista como uma das principais dificuldades do governo Alckmin, como algo que precisa ser resolvido no País. "A gente fica imaginando que haverá um dia neste País em que nós teremos menos Febem e mais indústria, menos Febem e mais escola", disse, lembrando da "emoção" que sentiu, ao participar, ontem, de um evento na fábrica da Ford, em Camaçari (BA), onde pôde ver jovens na faixa dos 20 anos preparados e qualificados para o mercado de trabalho.As afirmações do presidente em relação à Febem tiveram respaldo também em discurso do prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), que ironizou o "presente" que receberá nos próximos meses do governo paulista com a transferência de jovens da Febem para a região.Além disso, Lula também fez referências indiretas às constantes declarações de Alckmin, de que o Estado de São Paulo vem apresentando uma média de crescimento econômico muito superior à do Brasil como um todo. Apesar de não citar diretamente o nome de Alckmin e de incluir em sua análise outros Estados brasileiros, Lula fez questão de enfatizar uma relação entre o crescimento nacional e o avanço observado em São Paulo.Voltando-se ao senador Aloizio Mercadante, Lula afirmou: "Virou moda agora as pessoas dizerem assim, Aloizio: ´que São Paulo cresce mais do que o Brasil, que o Rio de Janeiro cresce mais do que o Brasil.´ Esses dias, eu fui ao Nordeste e porque o Nordeste cresce mais do que o Brasil", ironizou Lula. "Parece coincidência, mas esses Estados só estão crescendo mais do que o Brasil quando o Brasil começou a crescer no nosso governo", acrescentou.Em relação a São Paulo, em especial, Lula emendou: "Alguns Estados industrializados, como São Paulo, proporcionalmente, se o Brasil cai, ele cai. Se o Brasil cresce, ele cresce."Lula também destacou que é preciso questionar por que motivos o crescimento paulista não ocorreu, no mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da mesma forma como ocorre agora. "A pergunta que eu faço é: por que não cresceu antes de nós governarmos o País", destacou.Além disso, Lula também respondeu a críticas que vêm atingindo seu governo, caracterizando responsáveis por estes ataques como "pessimistas de plantão", que vêm dando palpites que acabam se tornando manchetes. "No Brasil, tem gente que não se contenta em ver gente que faz mais do que eles. Tem gente que não se contenta que as coisaS dêem certo", comentou.

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