Lula exalta 'grande figura humana' de Célio de Castro

Ex-prefeito de BH morreu no domingo; em 2001, ele se afastou e foi substituído pelo então vice, Pimentel

RAQUEL MASSOTE, Agencia Estado

21 de julho de 2008 | 12h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte, onde acompanhou o sepultamento do ex-prefeito da capital mineira, Célio de Castro, que morreu no domingo, aos 76 anos. Ao sair da cerimônia, Lula ressaltou que teve a honra de conhecer Castro há 30 anos. "Muito mais do que o grande mérito de político que ele foi, Célio de Castro foi uma figura humana que nós gostaríamos que tivesse muito mais, porque o mundo seria muito melhor", disse.  "Acho que muito mais do que o grande médico que o Célio foi, muito mais do que o grande político que o Célio foi, eu acho que o Célio foi uma figura humana daquelas que nós gostaríamos que tivesse muito mais porque o mundo seria muito melhor. O Célio era quase que um anjo em pessoa, pelo caráter, pelo comportamento, pela solidariedade", afirmou Lula em rápida conversa com os jornalistas após o sepultamento. Pouco antes, no salão da prefeitura, onde o ex-prefeito estava sendo velado, o vice-presidente José Alencar afirmou que ele foi "um exemplo de homem público e de responsabilidade social". Alencar lembrou também que Célio chegou a ser cotado para ser vice na chapa de Lula nas eleições presidenciais de 2002. "Ele não foi candidato a vice porque adoeceu antes, mas eu acredito que era vontade do presidente Lula convidá-lo, como o mineiro mais ilustre, para ser candidato à vice." Célio sofreu um acidente vascular cerebral em 2001 e teve de se afastar da Prefeitura, sendo substituído pelo seu então vice e atual prefeito, Fernando Pimentel.  Doutor BH Nascido em Carmópolis de Minas (MG), em 11 de julho de 1932, Castro, então filiado ao PSB, foi vice-prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996 na gestão do atual ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o petista Patrus Ananias. Em1996 se elegeu prefeito, sendo reeleito em 2000. Antes de ter a carreira política encerrada pelo derrame cerebral, que lhe comprometeu os movimentos e a fala, Castro havia se filiado ao PT. Médico com extensa militância social, ficou conhecido na capital como o "doutor BH" por conta de um jingle de campanha. Emocionado, Patrus disse que o ex-prefeito foi um "exemplo de transparência e compromisso social, dialogando com todos os setores da sociedade." "Tive o privilégio de ter um homem da dimensão humana e política do Célio como vice." Enterro  O caixão com o corpo - coberto pelas bandeiras do Brasil, de Belo Horizonte e do PT - deixou o saguão da prefeitura pouco antes das 11h, seguindo em carro aberto do Corpo de Bombeiros até o cemitério. Lula desembarcou na capital e seguiu direto para o local do sepultamento, acompanhado dos ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Hélio Costa (Comunicações). O presidente aguardou por cerca de dez minutos a chegada do cortejo. Durante o sepultamento, Lula confortou parentes do ex-prefeito.  Quatro dos nove candidatos à prefeitura de Belo Horizonte compareceram ao sepultamento: Márcio Lacerda (PSB), Jô Morais (PC do B), Sérgio Miranda (PDT) e Leonardo Quintão (PMDB).  O governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT), em viagem ao exterior, não puderam comparecer e foram representados, respectivamente, pelos vices Antonio Anastasia e Ronaldo Vasconcelos. Pimentel decretou luto oficial de três dias.  Castro foi internado na última sexta-feira com um quadro de arritmia cardíaca. Seu estado se agravou em razão de uma infecção urinária, que se tornou generalizada. O ex-prefeito morreu às 10h30, de falência múltipla dos órgãos. Texto atualizado às 19 horas

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