Lula evita falar sobre Mares Guia no caso 'mensalão mineiro'

'Eu estou aqui, me conta você sobre ele', diz o presidente, que está em NY participando da Assembléia da ONU

Tânia Monteiro,

25 Setembro 2007 | 15h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis responder à pergunta sobre a situação do ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que  estaria envolvido no esquema do "mensalão mineiro". Veja Também: Entenda o mensalão mineiro  "Eu estou aqui, me conta você sobre ele", brincou o presidente, esquivando-se de responder, ao chegar  à residência da missão do Brasil junto a Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Segundo a denúncia, Mares Guia integraria o esquema na campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo do Estado de Minas Gerais.  Telefonema 'tranqüilizador' Segundo reportagem publicada pelo Estado nesta terça, Lula telefonou na última segunda de Nova York para o ministro e pediu a ele que mantivesse a tranqüilidade.  "Toca para a frente e faça seu trabalho", recomendou. Por ordem de Lula, o governo começou na segunda mesmo a montar uma operação para salvar Mares Guia.  A estratégia para os próximos dias inclui até declarações públicas de dirigentes do PT - que reúne hoje sua Executiva Nacional - a favor do articulador político do Planalto.  O fim do fogo amigo foi exigido por Lula para estancar a crise e evitar que o caso do mensalão mineiro - suposto esquema de caixa 2, a partir de desvio de dinheiro público, para a campanha de 1998 do então governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador - atrapalhe a votação de projetos de seu interesse. A prioridade, agora, é a emenda que estica a validade da CPMF até 2011. Até segunda, petistas que nunca se conformaram com a perda de espaço no segundo governo Lula comemoravam o inferno astral de Mares Guia, de olho em sua cadeira. O 3º Congresso do PT chegou a aprovar, há 23 dias, resolução na qual pede mais "agilidade" da Procuradoria-Geral da República na apuração das denúncias de caixa 2 e desvio de dinheiro público na campanha à reeleição de Azeredo. A PF suspeita que Mares Guia tenha sido um dos mentores do mensalão mineiro. Ele nega. A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra do sigilo bancário e fiscal da empresa Samos, holding que administra os bens do ministro. Na semana passada, Mares Guia telefonou para o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Dizendo-se "indignado", solicitou que a Receita fizesse uma auditoria fiscal na empresa. 

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