Lula estréia em reuniões de cúpula do Mercosul

O presidente Luís Inácio Lula da Silva vai participar pela primeira vez, hoje, por volta das 10h de Brasília, de uma reunião de cúpula de chefes de Estado do Mercosul, que é realizada duas vezes por ano desde que o bloco foi criado, em 1991. Os presidentes da Bolívia e Chile, membros não plenos do bloco, também estarão presentes no encontro, para o qual foram convidados ainda o polêmico presidente venezuelano, Hugo Chávez, e um representante especial do governo da África do Sul. O Paraguai, que ficou com a presidência pro tempore nos últimos seis meses, passará o mandato para o Uruguai. Se os presidentes decidirem não fazer nenhuma ressalva às recomendações do Conselho Mercado Comum (CMC), definidas na terça-feira, o Mercosul deverá entrar em uma nova fase até 2006, quando o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estimam resolver todas suas pendências comerciais e econômicas. A partir desse ano, os quatro países pretendem dar um dos passos mais ambiciosos desde que o Mercosul entrou em vigor: andar rumo a um mercado comum. Atualmente, as relações entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não passam de uma mera união aduaneira imperfeita. Ontem, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou que, além de questões relacionadas ao comércio, os quatro países pretendem acelerar o processo de integração nos setores de serviços e compras governamentais. Para isso, o CMC, do qual fazem parte os ministros de Economia e Relações Exteriores e os presidentes dos Bancos Centrais, marcaram uma reunião extraordinária do Grupo Mercado Comum (GMC) para outubro deste ano. Ainda este ano, o Mercosul pretende assinar a base de um acordo comercial com o Peru. O chanceler brasileiro explicou que, embora ainda existam algumas dificuldades a serem superadas, as discussões com o governo peruano andam bastante avançadas porque já é objeto de uma negociação mais antiga. Para o Brasil, afirmou Amorim, esses acordos são estratégicos. "Não em termos de liderança como costuma dizer, mas o Brasil não pode ignorar que tem uma imensa fronteira com todos os países amazônicos", explicou o ministro. Para o chanceler, é importante a concretização da integração econômica e física na região. "Temos a convicção de que isso será benéfico para todos e, como o Brasil e a Argentina têm um mercado maior, precisam que a força de seus mercados seja útil para que as economias menores consigam obter algumas vantagens que eles consideram essenciais." Índia Em busca de novos mercados, o Mercosul assinou na terça-feira à note a base de um acordo comercial com a Índia. Ambas as partes se comprometeram a estudar oportunidades comercias nos dos mercados. O acordo prevê ainda a execução de projetos de cooperação nos setores agrícola e industrial, entre outros, por meio de intercâmbio de informações e programas de capacitação e de missões técnicas. Se comprometeram ainda a estabelecer relações mas estreitas entre suas respectivas organizações nas áreas de saúde vegetal e animal, normatização, segurança alimentar e reconhecimento mútuo de medidas sanitárias e fitossanitárias.

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