Lula está mais moderado, diz The Economist

A última edição da revista britânica The Economist traz uma reportagem sobre o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e a posição do partido para a eleição de 2002.A reportagem conclui que o discurso de Lula está se tornando mais moderado, à medida que se aproxima a campanha à Presidência. De acordo com a publicação, ele tem muitas razões para ter esperanças, na quarta vez em que deve candidatar-se.A lista segundo a The Economist, é longa: iminência de falta de eletricidade, dissensões entre membros da coalizão de centro-direita do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusações de corrupção, uma "moeda fraca" e os aumentos das taxas de juros, que criam a perspectiva de menor crescimento e maior inflação. A revista, entretanto, destaca que a legenda deve enfrentar dificuldades a partir do momento em que a campanha começar de verdade.Isso porque as siglas aliadas terão mais espaço para a transmissão de publicidade eleitoral gratuita, que será distribuída de acordo com os votos obtidos pelas agremiações em 1998. A reportagem lembra que Fernando Henrique venceu as últimas eleições, apesar dos primeiros sinais de uma crise.Naquela época, acrescenta, os eleitores sentiam que as políticas do PT e do líder do partido "não eram claras ou eram errôneas", e que "não se podia confiar nele" para dirigir a economia, sobretudo em tempos difíceis. A The Economist informa que, na tentativa de mudar isso, o PT publicou um documento sobre política econômica. Na avaliação da revista, o programa leva a legenda "vários passos à frente das duras políticas esquerdistas, das quais foi se distanciando a cada derrota sucessiva nas pesquisas". Apesar dos avanços, prossegue, persistem pontos polêmicos: "Há ainda muita coisa no documento que preocupa eleitores céticos. Ele é cheio de propostas de maior gasto público. E se entrega à fantasia de que o Brasil poderá reduzir os juros que paga sobre sua dívida pública ao mesmo tempo em que gasta mais e toma mais emprestado." O texto acrescenta que, apesar dos avanços, a sigla continua dependendo de uma coalizão com outras agremiações de esquerda para obter mais espaço de propaganda eleitoral e conquistar eleitores.

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