Lula está de ?portas abertas? para discutir PPPs com Tasso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante jantar com sete senadores do PFL e um do PSDB - Eduardo Siqueira Campos (TO) -, que não pretende abrir um confronto com os partidos de oposição e disse que, se necessário, vai conversar com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para tentar aprovar os Projeto das Parcerias Público Privadas (PPPs). "Se depender de mim, as portas estão abertas", disse Lula, conforme relato de um senador que participou do jantar realizado na residência do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. O nome de Tasso Jereissati foi citado pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que mantém um bom relacionamento com o cearense. Lula disse que gosta de Tasso e se mostrou disposto a abrir conversações com o tucano, a despeito da posição do ministro José Dirceu, que não poupa ataques ao tucano, explicitando suas divergências políticas. As resistências públicas de Tasso ao Projeto das Parcerias Público Privadas (PPP), que está parado desde maio na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do SEnado, têm irritado o chefe da Casa Civil. Segundo auxiliares do presidente Lula, ao apresentar restrições ao texto aprovado na Câmara, Tasso estaria tentando se destacar na cena política e despontar como alternativa da oposição para a sucessão presidencial em 2006, contra o PT. Os governistas afirmam, nos bastidores, que já haveria, inclusive, um acordo entre Tasso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, segundo o qual o nome que estiver em melhor situação nas pesquisas disputaria a sucessão de Lula. Por conta disso, na avaliação de ministros do governo, Dirceu teria acirrado o confronto com o PSDB, tendo Tasso como seu principal alvo. Hoje, o senador tucano, que já discutiu as PPPs com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, vai sentar-se à mesa de negociação com o ministro do Planejamento, Guido Mantega, para discutir as PPPs. O senador rebate as acusações dos governistas de que estaria agindo apenas politicamente. Segundo ele, suas divergências são de natureza técnica, e ele deseja debatê-las com os líderes do governo. Além de Tasso, devem participar do encontro de hoje os líderes do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e do PFL, José Agripino (RN), bem como o senador Rodolpho Tourinho (BA). ReeleiçãoDurante o jantar, Lula afirmou que pessoalmente é contra a reeleição e defendeu um mandato de cinco ou seis anos para o presidente da República. "É o ideal", afirmou, para lembrar que, na opinião dele, dificilmente é possível realizar um segundo mandato tão bom quanto oprimeiro. Lula tratou da reeleição quando o assunto foi abordado justamente pelo único tucano presente, o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO). Lula fez críticas ao ex-presidenteFernando Henrique Cardoso. Segundo Lula, os primeiros anos de Fernando Henrique foram "brilhantes". "Mas ele poderia ter ficado por aí e sair consagrado, mas não foi cuidar só de reeleição nos dois últimosanos de seu primeiro mandato".

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