Lula entrou na operação e mandou Jucá negociar

Planalto temia pela aprovação da CPMF no Senado e afastamento de Renan foi definido horas depois

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da operação política que resultou no afastamento do senador aliado Renan Calheiros (PMDB-AL). Foi Lula quem pediu ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ainda na quarta-feira, para buscar uma saída negociada com Renan a fim de distensionar o ambiente no Congresso e salvar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O afastamento de Renan foi decidido poucas horas depois, à noite, em reunião com amigos e correligionários, na residência oficial do Senado.Naquele dia, Lula recebeu a informação de que a situação de Renan era insustentável. "Chegou ao limite, presidente", afirmou Jucá, levado ao gabinete de Lula pelo ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. "Com esse clima beligerante, não temos como aprovar a CPMF." A idéia inicial, que passou pelo crivo do Planalto, previa uma licença maior para Renan, até o fim do ano - com o objetivo de facilitar a votação da emenda que prorroga a CPMF. O presidente do Senado, porém, resistiu.Acuado, Renan chegou a dizer a Lula que não poderia se ausentar por tanto tempo porque perderia as condições de se defender das denúncias. "Querem a minha cadeira", afirmou. Em todas as conversas, ele deixou claro que também não confia no PT, que passa a deter interinamente o comando do Senado com Tião Viana (AC).No Palácio do Planalto, os articuladores políticos do governo esperam que a licença de Renan possa serenar os ânimos. Com sinal verde do governo, Jucá tentou negociar com a oposição, ainda na quarta-feira, uma saída honrosa para Renan. Não conseguiu. A proposta apresentada ao DEM e ao PSDB previa que o senador alagoano se afastasse do comando da Casa para ter o mandato preservado. Mas a oposição rejeitou o acordo.Diante do impasse, Jucá, o senador José Sarney (PMDB-AP) e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), que passaram o dia em missão de conselheiros, reuniram-se com ele, à noite, para encontrar uma solução. Jucá mostrou a Renan a contabilidade antes apresentada a Lula: se permanecesse no cargo, a emenda que prorroga a CPMF corria sério risco de não ser aprovada até dezembro. Além disso, ele não teria mais do que 20 votos entre os 81 senadores para tentar salvar o mandato.OFICIALOntem, logo após o pronunciamento de Renan, Lula se manifestou por meio da assessoria de imprensa do Planalto. "Sempre disse que a crise do Senado era do Senado. A solução deveria vir do Senado e foi o que aconteceu", afirmou o presidente. COLABORARAM ANA PAULA SCINOCCA e LUCIANA NUNES LEAL

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