Lula empresta hoje US$ 332 mi a Evo

Encontro servirá também para tratamento da situação migratória e fundiária de brasileiros em território boliviano

João Domingos, RIO BRANCO, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina hoje, na Bolívia, a concessão de empréstimo de US$ 332 milhões (cerca de R$ 600 milhões) ao país vizinho para que o presidente Evo Morales possa construir 306 quilômetros de rodovia entre Villa Tunari e San Ignacio de Moxos, nos Andes bolivianos. Lula chegará à Bolívia por volta de 10h45, em viagem a partir de Rio Branco, onde pernoitaria. A futura rodovia vai interligar os vales subandinos de Cochabamba e a Amazônia boliviana, além de conectar a região aos trechos rodoviários Arroyo Concepción-El Carmen e El Carmen-Roboré, integrantes do Corredor Rodoviário Bioceânico lançado pelos presidentes Lula e Evo Morales e pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, em dezembro de 2007. Está prevista também a assinatura de memorando de entendimento, ainda em negociação, sobre cooperação científica, tecnológica e econômica para uso dos recursos minerais do Salar de Uyuni, onde se encontram as maiores reservas de lítio do mundo. Segundo o porta-voz do governo Lula, Marcelo Baumbach, o Brasil está empenhado em desenvolver cooperação para o aproveitamento daqueles e de outros recursos minerais do Salar, que combine, no futuro, elementos econômicos e de transferência de tecnologia. REGULARIZAÇÃO MIGRATÓRIAO encontro com Evo Morales servirá também para o tratamento da situação migratória e fundiária de brasileiros na Bolívia, entre outros temas da agenda bilateral. O Brasil busca obter a aceleração, pelo governo boliviano, dos trâmites para a regularização migratória de cerca de 5 mil brasileiros que vivem na Bolívia e que hoje são vítimas de violência por parte dos cidadãos originários do vizinho, principalmente na província de Pando. O porta-voz disse ainda que o presidente pretende conversar com Evo Morales sobre a problemática da instalação de bases norte-americanas na Colômbia. "O tema das bases, obviamente, preocupa o Brasil. Nós não sabemos exatamente qual será o propósito, não está muito claro ainda. É um elemento que agrava a tensão na região", disse Baumbach. Ele disse que o Brasil respeita as decisões da Colômbia, desde que limitadas ao território colombiano. Portanto, o ponto central é estabelecer garantias jurídicas de que as bases não serão usadas em ações contra terceiros países. Como o tema é delicado, Lula tentará evitar que ele cause retrocessos na integração sul-americana, visto que as bases são condenadas conjuntamente por Bolívia, Equador e Venezuela.

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