Lula embarca para reunião de cúpula na Bolívia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve desembarcar nesta sexta-feira, às 15h45 (17h45, horário de Brasília), em Cochabamba, na Bolívia, onde participará da 2ª Reunião de Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa). Seu primeiro compromisso será um encontro com o presidente da Bolívia, Evo Morales, no hotel onde ambos estarão hospedados e que, desde esta quinta-feira, estava cercado por militares. Embora o Itamaraty espere organizar em breve um "encontro mais estruturado" entre os dois presidentes, essa reunião permitirá principalmente ao presidente Lula abordar dois problemas do momento, que envolvem a situação de brasileiros radicados na Bolívia. A primeira questão diz respeito aos proprietários brasileiros de terras, que cultivam soja e são responsáveis por cerca de 50% das exportações bolivianas do produto. Com a aprovação no último final de semana da Lei de Reforma Agrária, por meio de uma manobra política do governo Morales, essas propriedades estarão sujeitas a ser consideradas latifúndios pelos comitês de camponeses. O governo Morales chegou a dar garantias ao Brasil de que as propriedades produtivas não serão atingidas pela reforma. Mas, dificilmente, Morales contrariará uma definição feita pelos camponeses, que constituem uma boa parte de sua base de sustentação política. O segundo problema, mais preocupante para o Itamaraty, é a possibilidade de a Bolívia expulsar de seu território cerca de três mil brasileiros provenientes da região amazônica e que se estabeleceram irregularmente nos Departamentos do Pando e do Beni. São extrativistas e agricultores pobres, que foram alvo de um trabalho de recenseamento feito por um consulado itinerante do Brasil. Desde sua posse, Evo Morales discursa enfaticamente sobre o cumprimento do artigo constitucional que proíbe a instalação de estrangeiros em uma faixa de 50 quilômetros das fronteiras. Trata-se exatamente do caso dos brasileiros. A contrapartida está na situação irregular de cerca de 60 mil bolivianos que atualmente vivem em São Paulo. Até setembro, vigorou um acordo bilateral que acomodava a situação dessa população. Uma vez expirado, os dois países criaram dois grupos de trabalho para tentar uma solução para esse dilema. O governo Morales declara recorrentemente que estaria de braços abertos para receber os bolivianos que vivem em São Paulo. O problema é que, em geral, eles não querem voltar.

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