Lula elogia Sarney por mandar investigar neto e critica paralisia

'É assim que deve ser feito', diz presidente sobre a investigação; ele defende que Senado funcione normalmente

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2009 | 19h11

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou nesta terça-feira, 30, a forma como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vem conduzindo o momento de instabilidade pelo qual atravessa. "Ontem eu recebi um informe de que o presidente Sarney pediu para a Polícia Federal investigar o emprego do seu neto. É assim que deve ser feito." Questionado sobre a crise no Senado, o presidente fez dois pedidos: "A única coisa que eu acho é que o Senado tem que fazer a investigação mais correta possível sobre todas as denúncias e trabalhar normalmente."

 

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Diante do aumento das pressões pela saída de Sarney, Lula defendeu em Trípoli, na Líbia, o funcionamento normal do Congresso Nacional. Ainda sem saber dos pedidos do PSDB e do DEM pelo afastamento do presidente da casa, o presidente pediu a apuração isenta das denúncias, mas pediu aos senadores que continuem produzindo para não prejudicar a administração pública.

 

O presidente enfatizou, porém, que a condução das investigações não pode atrapalhar o andamento das votações no Congresso. "Tem denúncia? Tem. Então se monta uma estrutura de investigação, investiga-se, e o Senado continua produzindo normalmente. Quando tiver a denúncia, paga quem errou. E inocenta quem não errou", afirmou. "O Senado sabe a importância do seu papel, muito importante, e precisa continuar trabalhando, tranquilamente, votando contra ou a favor. Mas tem que continuar trabalhando."

 

Lula se mostrou preocupado com o andamento de projetos de lei destinados a enfrentar a turbulência econômica. "Ontem mesmo eu mandei uma série de medidas provisórias para o Congresso em função da crise, medidas muito importantes para a gente diminuir os efeitos da crise e a gente não pode ficar esperando com essas medidas 4, 5, 6 meses porque precisamos crescer agora."

 

Dizendo-se "feliz" pelos resultados econômicos do Brasil - embora instituições como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevejam crescimento negativo de 0,8% em 2009 -, o presidente enumerou medidas para contornar a crise, como a redução do Imposto sobre Veículos Automotores (IPI), e mandou um recado para seus adversários políticos: "Os companheiros que fazem oposição não podem ficar torcendo para que aconteça desgraça para eles terem razão. Eles precisam fazer propostas melhor que o governo para que tenham razão fazendo coisas boas e não torcendo para as coisas estarem ruins."

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