Lula elogia esforços para libertação de presos cubanos

Alvo de críticas internacionais por sua relação estreita com a ditadura de Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou hoje os esforços da igreja católica e do governo espanhol para libertação de presos políticos na ilha. Ele insinuou que o Brasil participou secretamente das negociações. "Agimos do mesmo modo como ajudamos a libertar uma jornalista francesa que estava presa no Irã e a seguir, em relação a três cidadãos americanos", disse. Depois de visita à ilha, em março, Lula comparou presos políticos de cuba a criminosos.

VANNILDO MENDES E RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

14 Julho 2010 | 21h35

O presidente afirmou que evitou propagar as negociações por prudência. "Sempre que a gente puder, a gente vai pedindo. Agora, se a gente tentar fazer pirotecnia, a gente agrava a situação de cada uma das pessoas e não liberta ninguém". Lula recordou que também foi preso político e sabe a valor da liberdade democrática. "Fiquei tão feliz com a libertação dos presos políticos cubanos como fiquei quando fui solto da cadeia, em 1980, pelo regime militar", afirmou. "Eu fiquei tão satisfeito que soltei da gaiola o meu passo preto (pássaro de canto apreciado, imortalizado na canção de rei do baião Luiz Gonzaga)".

O presidente deu a declaração em entrevista à imprensa, no Itamaraty, após participar da abertura da 4ª Reunião de Cúpula Brasil-União Europeia. "Deus queira que todos os países soltem os que são considerados presos políticos", desejou. Mais enfático, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse desejar "uma rápida expansão da abertura" do governo cubano para a libertação de todos os presos políticos na ilha comunista. "Não tem sentido haver preso por razões políticas em qualquer país do mundo", observou.

Até agora, chegaram nove ex-prisioneiros cubanos à Espanha, de um total de 52 que o regime de Havana decidiu libertar, após uma onda de pressões internacionais e greve de fome de vítimas internas da repressões. Uma delas, o preso político Orlando Zapata, morreu em fevereiro após dois meses de greve de fome, durante visita de Lula à ilha.

Durão lembrou que a libertação de todos os presos políticos é um ponto fundamental para o restabelecimento da normalidade diplomática e da ajuda da União Europeia ao país, prejudicada desde o endurecimento do regime dos irmãos Castro em 2003. "Reconhecemos a importância desse passo, mas é preciso que Cuba respeite os direitos humanos", avisou. "Essa e uma condição importante para normalizar nossa relação com Cuba".

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