Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Lula eleva o tom e compara oposição a 'jogador reserva'

Para presidente, críticos ficam torcendo para quem 'está jogando se machucar para entrar no lugar'

estadao.com.br,

16 Outubro 2009 | 14h26

No último dia da viagem anunciada como vistoria das obras de integração e revitalização do Rio São Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou a carga contra a oposição nesta sexta-feira, 16, comparando os desafetos do governo a um jogador "reserva".

 

"É como jogador que está no banco de reserva, diz que é amigo do que está jogando, mas fica doidinho para o que está jogando tomar cartão vermelho ou se machucar para entrar no lugar dele. O papel da oposição é ver defeito", disse Lula em discurso no município de Cabrobó, em Pernambuco.

 

A crítica veio um dia após uma troca de declarações com o governador de São Paulo, José Serra, sobre os projetos de irrigação do governo federal para a região Nordeste. Serra, que é um dos pré-candidatos do PSDB à sucessão de Lula, tem viajado quase que semanalmente para a região. Lula, que tem a companhia no tour de sua candidata à sucessão e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ironizou a "preocupação" de Serra com o Nordeste.

 

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O PSDB, por sua vez, ameaçou na quinta-feira, 15, entrar com ação contra o governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando antecipação de campanha eleitoral.

 

Respondendo às críticas da oposição, o presidente afirmou nesta sexta-feira que as pessoas irão reconhecer a importância da obra apenas quando ela estiver pronta e a população sentir o efeito da mudança.

 

"Não estamos tirando água de ninguém, não era justo a gente deixar essa quantidade imensa de água ir para o mar e não tirar um pouquinho dela para levar ao semiárido para 12 milhões de nordestinos que vivem em uma situação extremamente difícil", disse ao defender o projeto.

 

Lula lembrou que evitou fazer promessas sobre a integração do Rio São Francisco antes de se eleger. Ele reafirmou que candidatos "duas caras" diziam ser contra ou a favor das obras de acordo com a posição dos governos dos estados por onde o rio passa.

 

Ao ser questionado sobre as críticas feitas pela oposição ao caráter eleitoreiro da viagem e ao projeto de transposição do São Francisco, Lula afirmou: "A pior coisa é a ociosidade. Um bando de homens sem ter o que fazer é uma desgraça". E continuou: "eles devem olhar o que estão fazendo. Mas também não vou esperar que a oposição reconheça o que estou fazendo".

 

"O papel da oposição é ficar xingando e falando certas coisas", ponderou. Ainda na entrevista, disse que não cometeu ato falho ao dizer que participava de comícios no sertão pernambucano. "Qual é a diferença entre ato de inauguração e falar com trabalhadores? Qual a diferença de comício? Acho que não cometi ato falho". Minutos depois, repetiu: "Eu não cometi ato falho".

 

Encontro com trabalhadores

 

Pela manhã, o presidente participou de encontro com trabalhadores do eixo norte, um dos dois canais que estão sendo construídos para integrar o rio às bacias do Nordeste Setentrional.

 

Esse eixo vai atender os estados de Pernambuco, da Paraíba, do Ceará e do Rio Grande do Norte e já teve 13,7% da obra executados, de acordo com informação do Ministério da Integração Nacional.

 

Com informações de Lonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo e Agência Brasil

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