Lula e Serra fazem um evento a cada 2 dias em busca de dividendos eleitorais

Inaugurações se concentram no primeiro trimestre porque lei proíbe participação de candidatos em solenidades durante a campanha

LUCIANA NUNES LEAL, de O Estado de S.Paulo

15 de março de 2010 | 21h49

Compromissos de caráter oficial, mas com grande potencial eleitoral, têm sido constantes nas agendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador José Serra. Somando inaugurações, lançamentos de projetos, visitas a unidades industriais e vistorias em canteiros de obras, Lula, sempre acompanhado de sua candidata à Presidência, ministra Dilma Rousseff, esteve este ano em 27 atividades - em média, uma a cada dois dias e meio. Dilma chegou a 28, com a inauguração de um hospital estadual no Rio de Janeiro, sem a presença de Lula. No caso de Serra, futuro candidato do PSDB, esses compromissos já somam 32 - um a cada dois dias. Os números referem-se ao período entre 1º de janeiro e a sexta-feira passada, 12 de março.

 

Veja galeria com imagem das inaugurações

 

Se forem levadas em conta apenas as inaugurações, Serra e Lula estão em ritmo bem mais intenso que no ano passado. O governador tucano compareceu a 27 solenidades este ano e o presidente, a 21 (Dilma foi a 22). No mesmo período de 2009, Serra foi a dez inaugurações e Lula, a sete. Em seus discursos, tanto Serra quanto Lula dizem que as obras concluídas são resultado de esforços anteriores, já que estão no último ano do mandato.

 

As inaugurações se concentram nos três primeiros meses do ano, porém, porque a lei proíbe participação de candidatos nessas solenidades durante a campanha. Serra e Dilma não poderão estar nesse tipo de palanque a partir de 6 de julho. Como têm que deixar os cargos públicos na primeira semana de abril, não terão justificativa para essa maratona de inaugurações. O presidente Lula, que não é candidato, avisou que continuará a inaugurar obras até o último dia do ano.

 

Nesta fase de campanha disfarçada, as obras são a maior vitrine para pré-candidatos. As inaugurações são festivas, com discursos em que as autoridades exaltam os próprios feitos. Além disso, são amplamente noticiadas na imprensa e ainda geram imagens que são registradas por produtoras contratadas pelos partidos para exibição no horário eleitoral gratuito da TV. Até 6 de julho, não há regras para coibir possíveis abusos e propaganda eleitoral antecipada. Resultado: o que antes se limitava a faixas de agradecimento e discursos inflamados nas inaugurações já evoluiu para festas com bandeiras partidárias, carros de som e distribuição de brindes.

 

Atividades institucionais com viés eleitoral foram motivo de troca de provocações entre Lula e Serra. O presidente ironizou o fato de Serra ter participado do anúncio da construção de uma ponte entre Santos e Guarujá e "inaugurado" a maquete da obra. O governador respondeu que importante é obra com "começo, meio e fim".

 

Na semana passada, o governador teve intenso contato com os eleitores. Depois de inaugurar uma estação de tratamento em Tremembé, improvisou a visita a uma padaria na vizinha Taubaté. Na sexta-feira, participou de duas inaugurações, do Poupatempo de Piracicaba e de instalações pediátricas da Santa Casa de Matão. Em fevereiro, o governador surpreendeu até os assessores ao entrar no mar de roupa e tudo, durante lançamento do programa Praia Acessível.

 

Esta semana, o presidente está em viagem oficial a Israel. Na semana passada, porém, Lula e Dilma estiveram pouco tempo em seus gabinetes. Entre segunda e sexta, estiveram em quatro inaugurações e visitaram pela terceira vez o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que só entra em funcionamento em 2013. Algumas das inaugurações do presidente e da ministra se revelaram precipitadas. No dia 9 de fevereiro, estudantes protestaram durante a entrega de um novo campus da Universidade Avançada dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Teófilo Otoni (MG). As instalações são precárias, faltam professores e a estrada de acesso alaga em períodos de chuva. No Rio, dois condomínios populares tiveram os apartamentos alagados durante chuvas fortes. Nas favelas de Manguinhos e do Alemão, os edifícios estão passando por reformas, apesar de inaugurados há menos de um ano.

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