Lula e ruralista em clima de paz em Uberaba

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em climade descontração e otimismo, na tradicional feijoada oferecida pelopecuarista Jonas Barcelos, em sua fazenda Mata Velha, após ainauguração da ExpoZebu, foi uma cena jamais imaginada pelosempresários do agronegócio. No almoço do ano passado, Lula também foi o centro das discussões, mas, ao contrário deste ano, todos estavampreocupados, apreensivos e curiosos com o que aconteceria no País se o candidato petista fosse eleito. No sábado, os ruralistas faziam filas para posar para fotos ao lado do presidente. E elogios não faltaram. ?O setor está contente e surpreso positivamente com o presidente Lula?, comentou o pecuarista Jovelino Mineiro, sócio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), resumindo o clima do almoço. Jovelino, que já sofreu com a invasão de suas terras pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), elogiou a determinação de Lula de colocar a agricultura na agenda do País e de escolher Roberto Rodrigues, ?que é do setor?, como frisou, para oMinistério da Agricultura.O discurso do presidente Lula na ExpoZebu, no sábado pela manhã,agradou aos fazendeiros. No almoço, o trecho em que ele confessou que já fez várias reuniões para ?falar mal do setor? e vice-versa, masassegurando que agora ?o preconceito foi vencido? era um dos maiscomentados. Destacavam também a promessa de Lula de que será feita umareforma agrária pacífica e ordeira. Em meio a muitas senhoras defazendeiros, foi comentada a ausência da primeira-dama Marisa Letícia.?Olha como é a vida, nós sempre estivemos em lados opostos e agora estamos aqui, o que é muito bom. É muito bom que estamos nos aproximando?, afirmou o presidente, na mesa de almoço, ao lado do anfitrião Jonas Barcelos, do ministro da Agricultura e do governador de Minas, Aécio Neves. Lula acrescentou: ?Eu evoluí, meu pessoal evoluiu e os fazendeiros também?. Lula reconheceu, no entanto, que ainda terá de enfrentar algumas reações no seu próprio grupo. ?O clima era de harmonia e confiança, todos acreditando e apoiando o presidente?, assegurou Aécio Neves. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, José Olavo Borges Mendes, reconheceu que os pecuaristas passaram a vida inteira falando mal do presidente, mas agora, garantiu: ?todos mudaram?.O ex-presidente da ABCZ, Rômulo Camargo, após o almoço, pregava o diálogo entre os dois lados. ?Ficou claro que não existe bicho papão nem de um lado, nem do outro?, observou. ?É por aí que se governa e o presidente está sendo coerente com o que disse na campanha, aqui em Uberaba, no ano passado, quando prometeu que não haveria invasões, desapropriação de terras produtivas e fez um discurso favorável ao setor?, ressaltou. Na mesa onde o presidente Lula estava, durante todo o almoço,formavam-se longas filas de fazendeiros e seus familiares, fazendoquestão de abraçá-lo e tirar uma foto com ele. Eram mais de milconvidados. A lista de convidados era eclética e, principalmente, endinheirada. Opátio de estacionamento do aeroporto de Uberaba ficou lotado. Além de empresários do setor agrícola, estavam no almoço o presidente doBradesco, Márcio Cipriano, acompanhado da família, e muitos políticos, como os senadores Jorge Bornhausen (PFL-SC), Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e os deputados Ronaldo Caiado (PFL-GO), José Roberto Arruda (PFL-DF), Augusto Nardes (PP-RS), além do petista Virgílio Guimarães (MG). Eduardo Azeredo disse que saiu do almoço convencido de que ?o gelo? foi mesmo quebrado entre os dois lados. ?O Presidente Lula tem muito carisma e não se fez de rogado, ficando muito a vontade entre os convidados.? Arruda completou: ?O ambiente estava muito informal e descontraído. Quem não ficou muito a vontade foi o Rosseto, mas opresidente fez questão de cumprimentar todo mundo.? Para o petista Virgílio Guimarães, o clima das ruas de Uberaba na recepção ao presidente ?contaminou? os ruralistas. ?O presidente retomou em Minas a tradição de Getúlio e JK de prestigiar o setor agrícola e estabeleceu laços com um dos segmentos mais refratários às propostas do PT?, disse.

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