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Wilton Júnior/ Estadão
Wilton Júnior/ Estadão

Lula e PT mudam posicionamento e decidem pedir 'Fora Bolsonaro'

Petista deve fazer pronunciamento defendendo a saída do presidente do cargo; em reunião com partido, ele reclamou que notas e publicações em redes sociais não têm efeito prático

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 21h27

Com dificuldade para conseguir uma posição de destaque no enfrentamento ao governo Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus, o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiram levantar a bandeira pelo "Fora Bolsonaro". 

Segundo fontes do PT, Lula reclamou do fato de o partido e seus dirigentes fazerem muitas notas e publicações nas redes sociais, que não têm efeito prático, enquanto Bolsonaro ocupa os principais espaços da mídia todos os dias, mesmo na posição de alvo de críticas. 

Na manhã desta terça-feira, 21, as bancadas do partido na Câmara e no Senado decidiram encaminhar o novo posicionamento ao diretório nacional da legenda. Segundo relatos, durante a reunião Lula disse que vai fazer um pronunciamento defendendo a saída do presidente. 

Lula vinha sendo cobrado desde que deixou a cadeia, em novembro do ano passado, a participar mais dos debates políticos nacionais. De acordo com participantes da reunião, o ex-presidente disse que neste momento se sente mais confortável para ir a público porque ¨agora tem o que falar¨.

A decisão de levantar a bandeira pelo Fora Bolsonaro significa uma mudança de posição do partido. Nas últimas semanas a ala majoritária do PT, capitaneada pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, recusou por duas vezes propostas de correntes minoritárias que defendiam o Fora Bolsonaro.

¨As bancadas do PT na Câmara e no Senado querem uma campanha por mudanças institucionais e políticas para garantir a democracia no país, em defesa da vida e contra a manutenção de Jair Bolsonaro à frente do governo¨, diz nota publicada na página do partido.

Até então a estratégia do PT era de adotar uma linha propositiva, se aproveitando da experiência de 13 anos no governo federal para sugerir políticas nas áreas da saúde e emprego. A estratégia, no entanto, não tirou o partido de um papel secundário que vem desempenhando durante a pandemia perdendo protagonismo até para adversários da centro-direita que se elegeram apoiando Bolsonaro como os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio, Wilson Witzel (PSC).

No final de semana as correntes majoritárias fizeram um manifesto pelo "Fora Bolsonaro" que conseguiu o apoio de 17 mil pessoas e encaminharam um pedido à Gleisi para marcar uma reunião do diretório nacional com o objetivo de ¨rever a orientação política¨ do PT diante da crise. 

A pressão da base e os acontecimentos do últimos final de semana ajudaram a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) a mudar de posição. Na reunião desta terça-feira todos os principais líderes da CNB disseram ser a favor do Fora Bolsonaro desde sempre. 

Ao justificar os motivos que levaram o PT a empunhar a bandeira pela saída do presidente, Gleisi citou a ida de Bolsonaro à manifestação que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal e defendia o AI-5, no último domingo. 

¨Precisamos também fazer o debate da política e a defesa da nossa democracia. Está claro que o governo que está aí, liderado por Bolsonaro, não está à altura do país para enfrentar a crise que estamos vivendo. No último domingo sua atitude foi o palco de desastre para o Brasil¨, disse ela. 

Na reunião com as bancadas e Lula, Gleisi que está consultando os demais partidos de esquerda sobre o Fora Bolsonaro. De acordo com relatos, ela disse que a única resistência vem do PC do B que prefere o ¨Basta Bolsonaro¨ por considerar que o fracasso de uma tentativa de afastar o presidente pode deixá-lo mais forte. 

Gleisi se recusou a fazer a reunião do diretório nacional nas 72 horas pedidas pelas correntes minoritárias. O encontro deve ficar para a próxima semana.

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