Lula: 'É possível governar sem odiar os que lhe odiaram'

Com sua tradicional máxima "pela primeira vez na história desse País", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que seu maior legado enquanto presidente da República foi permitir que o Palácio do Planalto fosse uma casa "de todos". "Digo todo dia que se alguém perguntasse qual o legado mais importante que deixei para o País, não falaria do Prouni, do Bolsa Família, do PAC 1, do PAC 2 e da eleição da Dilma.

CARLA ARAUJO E BEATRIZ BULLA, Agência Estado

13 de maio de 2013 | 21h41

O grande legado é que eu mostrei que é possível um governante governar de forma republicana sem odiar aqueles que lhe odiaram", comentou Lula, para a plateia que participava do debate de lançamento do livro "10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma", da Boitempo Editorial, organizado pelo cientista político Emir Sader.

Lula afirmou que o que inspirou "ódio" em seus críticos e opositores foi o sucesso de seu governo. "(Se eu fracassasse) Eles falariam bem de mim. Coitadinho do operário, chegou lá, mas ele não tem culpa, ele não estava preparado. Agora quando nós começamos a fazer sucesso é que inspirou o ódio." O ex-presidente voltou a dizer que tinha consciência de que deveria governar para "todo mundo".

"A gente não pode gostar do povo só quando é candidato, a gente tem que gostar, sobretudo, quando ganha as eleições", afirmou o ex-presidente, reforçando que será cabo eleitoral do PT nas eleições do próximo ano. O petista aproveitou para criticar seus antecessores, dizendo que, ao deixar a presidência, fez questão de registrar em cartório um "inventário do governo" com "cada centavo de cada obra", o que, segundo ele, não foi feito nos governos anteriores. "Se antes não tiveram coragem de dizer o que fizeram, eu tenho orgulho de dizer cada coisa que eu fiz e cada coisa que eu não fiz", comentou Lula, ressaltando que tinha consciência que estava "de passagem" no Planalto.

O ex-presidente lembrou, sem citar nominalmente, o episódio do mensalão, dizendo que, em 2005, "a elite e uma parte da imprensa apregoava aos quatro cantos do mundo que o governo Lula tinha acabado". "Eu disse: não vou fazer como Getúlio (Vargas) e dar um tiro no coração. Eu sinceramente vi o que eles fizeram com o JK (Juscelino Kubitschek)", afirmou Lula, dizendo que JK sofreu o mesmo que posteriormente o petista passou quando concorreu à presidência. "Diziam: não pode concorrer. Se concorrer, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar", completou.

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