Lula e o álcool, tema do <i>New York Times</i>

O jornal The New York Times traz longo artigo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bebida. Segundo o artigo, o presidente brasileiro ?nunca escondeu sua predileção por uma copo de cerveja, uma dose de uísque ou, melhor ainda, um gole de cachaça, a forte bebida brasileira feita com cana de açúcar?. Atualmente, no entanto, prossegue o artigo, ?alguns brasileiros começam a questionar se a predileção de seu presidente por bebidas fortes está afetando sua performance no cargo?. O artigo, assinado por Larry Rohter, diz que nos últimos meses ?o governo de esquerda de Lula foi assolado por uma crise atrás da outra, desde escândalos de corrupção até o fracasso de importantes programas sociais?. ?O presidente?, prossegue, ?se manteve longe dos holofotes e deixou o trabalho pesado a cargo de seus assessores. Isto iniciou especulações de que seu aparente pouco envolvimento e passividade possam estar relacionados com seu apetite por álcool?. Segundo o artigo, apesar de diversos líderes políticos e jornalistas ?comentarem cada vez mais entre si os consumo de álcool de Lula?, poucos estão dispostos a assumir em público suas suspeitas. Uma exceção é Leonel Brizola, que, em declaração entre aspas citada pelo articulista, diz: "Eu o alertei que bebidas destiladas são perigosas, mas ele não me escutou e, de acordo com o que está sendo dito, continua bebendo".O artigo cita um texto de Diego Mainardi, publicado pela revista Veja, em que o autor diz que Lula tornou-se ?o maior porta-voz da propaganda para a indústria de bebidas? e aconselha o presidente a ?parar de beber em público?. Mais adiante, o articulista do jornal americano diz que os brasileiros têm motivos para se preocupar ?com qualquer sinal de bebedeiras por parte de seus presidentes?, e acrescenta que a renúncia inesperada de Jânio Quadros, ?fã notório? de bebidas alcoólicas?, ?iniciou um período de instabilidade política que levou ao golpe de 1964 e 20 anos de ditadura militar?. O artigo diz que as especulações sobre os hábitos de bebida do presidente foram alimentadas pelas ?inúmeras gafes cometidas em público? (e cita que ele chamou o presidente da General Motors de presidente da Mercedes-Benz; imitou o sotaque de sírio-libaneses, inclusive com erros de português, durante visita ao Oriente Médio; disse que a capital da Namíbia, Windhoek, nem parecia estar na África, de tão limpa que é). ?Assessores de Lula e seus partidários sustentam que tais escorregões são ocasionais e devem ser esperados de um homem que gosta de falar de improviso, mas que não não estão relacionados com seu consumo de álcool, que descrevem como moderado?, diz o artigo. ?De acordo com eles, Lula está sendo submetido a um padrão diferente e injusto do que seu antecessor pois ele é o primeiro presidente brasileiro da classe trabalhadora e tem primeiro grau incompleto.?Secretário proporá a Lula ação judicial O secretário particular do presidente da República, Gilberto Carvalho, afirmou que vai propor a ele uma ação judicial contra o texto publicada no jornal The New York Times. "Isso não é jornalismo, é calúnia", afirmou ele, muito irritado. Carvalho disse que nem ele nem o presidente Lula tinham, até a tarde deste sábado, lido o texto do jornal americano. Mas, ao ser informado do teor da matéria pela reportagem do Estado, Carvalho classificou-a como "um enorme absurdo". "Uma matéria como essa é preconceito puro. O governo brasileiro precisa tomar uma medida dura contra uma notícia como essa", disse Carvalho, muito irritado. "Precisamos convidar esse repórter para passar um dia com o presidente para ver o quanto ele trabalha", disse.

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