Tiago Queiroz, Estadão
Tiago Queiroz, Estadão

Lula e Kassab lamentam morte de sindicalista

José Ibrahim foi um dos fundadores do PT, mas atualmente estava no PSD

02 de maio de 2013 | 19h04

SÃO PAULO - Políticos lamentaram, nesta quinta-feira, 2, a morte do sindicalista José Ibrahim. O corpo dele foi encontrado em seu apartamento, na capital paulista. Ainda não há informações sobre a causa da morte, mas há suspeitas de que ele tenha sofrido um enfarte.

Em nota, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembrou a trajetória de luta do sindicalista e prestou solidariedade à família de Ibraim. "Em 1968, ainda jovem, José Ibrahim atuou para organizar os trabalhadores de Osasco e, defendendo seus ideais, enfrentou a prisão e o exílio. De volta ao Brasil, ajudou a fundar o PT  e seguiu militando no movimento sindical até o fim de sua vida". A ex-primeira-dama Maria Letícia também assina o texto.

Apesar de ter sido um dos fundadores do PT, Ibrahim estava atualmente no PSD. O site da sigla dizia que o PSD estava em luto pelo acontecimento. O ex-prefeito de São Paulo e presidente da sigla, Gilberto Kassab, também lamentou morte do correligionário. “Foi uma grande honra contar e conviver com a sua experiência e a sua sabedoria no PSD, que seguirá o seu exemplo de luta incondicional pela causa dos trabalhadores e dedicação à construção de uma sociedade mais justa”, disse.

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif (PSD), disse que foi surpreendido com a notícia: “Estou surpreso e entristecido. Sábado nos encontramos e planejamos muitas coisas para o futuro da nossa parceria. Sua memória e dedicação permanecerão”.

Ontem, Ibrahim chegou a participar da comemoração do Dia do Trabalho, na Praça Campo de Bagatelle, região norte de São Paulo. Ele era secretário nacional de Formação Política da União Geral dos Trabalhadores (UGT), uma das centrais que organizou o evento. A entidade divulgou nota de pesar pelo falecimento e disse que o ''movimento sindical está de luto'' pela perda de um de seus ''pilares''.   

Segundo a UGT, o corpo do sindicalista será velado durante a noite desta quinta na Assembleia Legislativa de São Paulo. O sepultamento deve ocorrer na tarde de sexta-feira, 3, no cemitério Bela Vista em Osasco (SP).

Ditadura. Militante histórico do movimento operário brasileiro, Ibrahim liderou, em 1968, uma das primeira greves após o golpe militar de 64. À frente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, comandou a paralisação de fábricas da cidade. Após o episódio, foi demitido e ingressou na luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Ibrahim foi um dos presos políticos trocados pela libertação do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Na histórica foto de 6 de dezembro de 1969, ele aparece ao lado do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Os dois, junto a outros companheiros, foram deportados para o México. No ano passado, Ibrahim saiu em defesa do ex-colega de exílio, após Dirceu ser condenado à prisão no julgamento do mensalão. "Vejo tudo isso com enorme tristeza", disse ao Estado.

 

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