JF Diorio/AE
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Lula e Haddad enfrentam protesto em plenária na zona oeste

Militantes do PSOL e estudantes que carregavam cartazes foram impedidos de entrar no local

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2012 | 22h47

SÃO PAULO - O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram constrangidos por um protesto durante plenária com estudantes bolsistas do ProUni no auditório da Uninove, universidade particular localizada na Barra Funda, zona oeste da capital, na noite desta quinta-feira, 27.

No momento em que Lula e Haddad sentaram no palco, um estudante levantou com um cartaz apontando incoerência entre a proposta do partido para São Paulo de eleger um "homem novo" e o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. "Lula, renovação com mensalão?", dizia o cartaz. Após gritar a frase por alguns segundos, o jovem, não identificado, foi retirado do auditório pelos presentes.

Antes do início da palestra, cerca de dez militantes do PSOL também organizaram um protesto do lado de fora da universidade. Eles planejavam realizar um protesto dentro do auditório, mas teriam sido identificados, na entrada, por petistas e acabaram impedidos de participar do evento. Segundo militantes do PSOL, o jovem que ergueu o cartaz é um estudante da Uninove, não ligado ao partido, que pegou voluntariamente um cartaz confeccionado pelo PSOL e entrou no auditório.

Um estudante de geografia da USP de 21 anos, militante do PSOL, que pediu para não ser identificado, foi ameaçado por um homem que descobriu que ele levava um cartaz escondido em uma bolsa. Esse homem, não identificado, o conduziu para fora do prédio, ameaçando-o de agressões físicas. As ameaças foram gravadas em um vídeo, ao qual a reportagem teve acesso.

Ao final do evento, Lula disse não ter se incomodado com o protesto. Ele lembrou que, quando presidente, era sempre acompanhado, em eventos públicos, por um mesmo jovem que reclamava contra o governo e afirmou que isso nunca o perturbou.

Novo x velho. Antes da plenária, Juliano Niklevicz, 26 anos, professor de filosofia, e Pedro Serrano, 21 anos, estudante de ciências sociais da USP, ambos do PSOL, seguravam uma bandeira com os dizeres "Nem Maluf, nem Kassab. Gianazzi 50" do lado de fora da universidade. Segundo Niklevicz, "Haddad é o novo vestido de velho, e Serra é o velho mesmo".

O ProUni, programa federal que concede bolsas de estudos em universidades particulares em troca de isenções fiscais, implantado por Haddad na sua gestão à frente do Ministério da Educação, é alvo de críticas dos militantes do partido. Niklevicz argumenta que o programa representa um avanço "muito pequeno" para a educação e diz que o custo para a União de uma bolsa do ProUni, na forma de renúncia fiscal, é três vezes superior ao custo de uma vaga em uma universidade federal - ele, no entanto, não soube apontar o estudo que fundamenta esse cálculo.

Shirley Andrade, 19 anos, do PSOL e bolsista do Prouni - ela tem uma bolsa integral para estudar Psicologia na Universidade São Judas - defende que, em vez de conceder isenções fiscais às universidades privadas, o governo federal deveria cobrar impostos dessas instituições e investir o recurso na abertura de novas vagas em universidades públicas. "O ProUni serve para alimentar as universidades privadas, é mais importante ampliar as vagas em universidades públicas", disse.

A dez metros do grupo do PSOL, cerca de vinte jovens contratados para trabalhar como cabos eleitorais do PT faziam uma provocação bem-humorada, cantando o jingle de Haddad na direção dos adversários políticos. Um deles disse que mora em Pirituba, zona norte da capital, largou o ensino médio para trabalhar e ajudar a família, e atualmente ganha um salário mínimo por mês para atuar na campanha. Questionado, disse que votaria em Haddad porque "gosta de suas propostas", citando o bilhete único mensal. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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