Lula e Gilmar Mendes prestam homenagem a Menezes Direito

Em nota, presidente elogiou o 'brilhantismo e elevado espírito público' do ex-ministro do Supremo

Fabiana Cimieri e Marcelo Auler, O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2009 | 19h34

Após quatro meses de luta contra um câncer no pâncreas, morreu na madrugada desta terça-feira, 1, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Alberto Menezes Direito. Ele estava internado desde sexta-feira no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona Sul do Rio, com hemorragia digestiva. O ministro completaria 67 anos na próxima terça-feira, 8.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou rapidamente pelo velório, às 16 horas, pouco antes de o corpo ser levado para o Cemitério São João Batista, em Botafogo. Acompanhado do governador do Rio, Sergio Cabral Filho, e do prefeito Eduardo Paes, Lula cumprimentou os filhos e a viúva do ministro e saiu menos de 10 minutos depois, sem dar entrevistas. Também passaram pelo Centro Cultural da Justiça os ministros Nelson Jobim (Defesa), Tarso Genro (Justiça) e Edson Santos (Igualdade Racial).

 

Direito descobriu o câncer no início de maio e foi operado uma semana depois pela equipe do médico Fábio Miranda. No Supremo, seus colegas imaginavam que a recuperação seria rápida. As previsões eram de que ele emendaria a licença médica com o recesso de julho e voltaria ao trabalho em agosto.

 

Mas a doença evoluiu e, segundo os médicos, as sessões de quimioterapia e radioterapia não surtiram o efeito desejado. A partir de então, a preocupação dos médicos passou a ser evitar as dores. No sábado à noite, o ministro foi sedado e assim permaneceu até as 6 horas de ontem, quando morreu.

 

Direito era casado com Wanda Viana, com quem teve três filhos: Carlos Alberto, advogado; Gustavo, juiz, e Luciana, promotora. Seu velório foi no Centro Cultural da Justiça Federal, um prédio histórico no centro do Rio que foi sede do STF na época em que a cidade era a capital da República. O caixão com a bandeira do Brasil permaneceu no plenário, diante da bancada que servia aos julgamentos.

 

VELÓRIO

 

Pelo plenário passaram diversas autoridades. O desembargador Murta Ribeiro, ex-presidente do Tribunal de Justiça, lembrava-se do tempo em que ao lado de Direito cursou o Colégio Santo Inácio e a Faculdade de Direito da PUC, onde o ex-ministro presidiu o Centro Acadêmico Eduardo Lustosa e fundou o Movimento de Solidarismo Cristão. O jornalista Haroldo Costa foi se despedir do amigo, que conheceu nos anos 70, quando o ministro ocupou a chefia de gabinete e a representação do Ministério da Educação e Cultura no Rio, na gestão de Nei Braga. Segundo Costa, Direito deu essencial ajuda na luta pelos Direitos Autorais.

 

Do STF compareceram o presidente Gilmar Mendes, o vice César Peluso, e o ministro Ricardo Lewandowski. Vieram de Brasília no mesmo voo com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O ministro Joaquim Barbosa foi o primeiro a chegar.

 

Estiveram presentes também o ministro Gilson Dipp, corregedor da Justiça Federal, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, César Asfor.

 

Cotado para ocupar a cadeira de Direito no Supremo, Asfor esquivou-se das especulações. "Trata-se de uma escolha pessoal do presidente da República com apreciação do Senado. Não fiz, não faço e não farei nenhum movimento nesse sentido."

 

Em nota, o presidente Lula elogiou o "brilhantismo e elevado espírito público" de Direito, que, segundo ele "fundamentava seus votos com muito critério, objetividade e consistência". Lula também elogiou o estilo discreto do ministro do STF. "Sua discrição e sobriedade emprestavam mais força às posições que adotava." O governador Sergio Cabral Filho destacou que "Direito, um patrimônio do Rio, se destacou pelo seu conhecimento jurídico e compromisso com a Justiça".

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