Lula e FHC garimpam no agronegócio vices para afilhados

Os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso assumiram pessoalmente a busca por nomes de candidatos a vice-governador de seus partidários, respectivamente Alexandre Padilha e o governador Geraldo Alckmin, na eleição paulista de 2014. E, coincidentemente, os primeiros sondados foram duas das principais lideranças do agronegócio brasileiro - o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o ex-secretário da Agricultura de São Paulo João Sampaio - que dificilmente cederão às investidas.

GUSTAVO PORTO E SUZANHA INHESTA, Agência Estado

23 de setembro de 2013 | 12h32

A investida sobre Rodrigues e Sampaio começou há duas semanas, em uma reunião do ex-presidente petista com seu ex-ministro da Agricultura, no Instituto Lula, em São Paulo. Participaram do encontro, além Lula e Rodrigues, o próprio Padilha, nome mais cotado para ser o candidato à sucessão de Alckmin, o também ex-ministro da Secretaria de Comunicação Franklin Martins e o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

O argumento do ex-presidente Lula não convenceu o ex-ministro da Agricultura a disputar uma eleição e tentar ocupar o cargo que já foi de seu pai, Antonio José Rodrigues Filho, vice-governador de Laudo Natel, entre 1971 e 1975. "Não quis porque nunca fui filiado e não seria agora que eu iria me filiar. Mas é fundamental que o setor tenha um relacionamento com a política para que o agronegócio ganhe a relevância que merece", justificou.

Rodrigues, então, indicou justamente Sampaio para a disputa, mesmo com o agora executivo e consultor de empresas do setor tendo ocupado a Secretaria de Agricultura de José Serra por quatro anos, permanecido no cargo nos primeiros meses do atual governo do tucano Alckmin e também coordenado a campanha do ex-governador na disputa com a atual presidente Dilma Rousseff à sucessão de Lula, em 2010.

Em conversa entre ambos, Sampaio ouviu de Rodrigues que a indicação ocorreu porque o ex-secretário alia o perfil político ao de líder do agronegócio. "Sou ligado ao PSDB, ao Serra e não há condições para aceitar esse convite", disse Sampaio a Rodrigues, segundo relato de interlocutores. Em um seminário do setor no último sábado, em Campinas, Sampaio foi apresentado por Rodrigues como "futuro governador de São Paulo".

A indicação dele para vice de Padilha, mesmo que inimaginável, animou petistas. Alguns cogitaram uma filiação de Sampaio ao PSD, na aposta que o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab possa desistir de uma candidatura à sucessão de Alckmin. Assim, o nome do ex-secretário seria viabilizado em uma coligação sem precisar se filiar ao PT.

Ânimo de alguns, piada de outros. Em um encontro casual com Sampaio, na residência de um banqueiro na capital paulista, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, atual consultor, Antonio Palocci brincou com o ex-secretário: "João, você vai se aliar a nós? Vou pagar para ver você defendendo a política do PT", disse, segundo relato de presentes.

FHC

Paralelamente, o ex-presidente FHC retomou a mesma ideia de 2009 de emplacar Sampaio como vice de Alckmin. À época, o nome de Guilherme Afif Domingos, hoje no PSD, foi o escolhido. Mas, como Alckmin não terá mais Afif como vice em 2014 - já que ele acumula agora o cargo com o a Secretaria da Micro e Pequena Empresa do governo federal -, Sampaio seria a opção.

"Ele é um nome do setor empresarial e, principalmente, seria um consenso no PSDB e traria a união do partido em São Paulo. Além disso, não causaria problemas para Alckmin em 2018, quando o governador (caso seja reeleito) se licenciaria para disputar outro cargo", afirmou uma fonte.

Sampaio admitiu as sondagens, não comentou os bastidores das negociações, mas confirmou que terá uma reunião, entre amanhã e quarta-feira, com Alckmin. O ex-secretário, entretanto, foi enfático e reafirmou sua posição de sempre. "Não irei me filiar e não serei candidato", resumiu. Resta saber se FHC e Alckmin terão bons argumentos para convencê-lo a aceitar a disputa em 2014.

A assessoria do ex-presidente Lula informou apenas que ele não comenta possíveis articulações para 2014. Já a assessoria de FHC informou que o ex-presidente não irá se pronunciar e o assunto, até aquele momento, era desconhecido para ele.

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