Lula é elogiado e cobrado em enterro de deputado do MST

D. Tomás Balduíno foi o mais direto: ?E a nossa reforma agrária? Cadê??

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sete ministros foram ontem, em Porto Alegre, ao enterro do deputado Adão Pretto (PT-RS), representante do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Congresso. O prestígio com que Lula tratou o amigo de 30 anos e o MST colocou lado a lado antigos companheiros de luta política, que aproveitaram para trocar alguns elogios e também fazer cobranças.Um dos fundadores do MST, Darci Maschio elogiou "a grandeza da atitude do companheiro Lula". A três metros do presidente, o bispo emérito de Goiás, d. Tomás Balduíno, afirmou que o deputado morreu como um exemplo, mas ainda sem a vitória: "E a nossa reforma agrária? Cadê? Cadê? É o que (Pretto) deve estar perguntando."Lula lembrou os quase 30 anos de amizade com o deputado, iniciada na década de 80, quando era sindicalista em São Paulo e Pretto participava das primeiras mobilizações dos sem-terra no Sul. No discurso, o presidente não se referiu à cobrança e aos elogios. "Nós, seres humanos, valemos pela qualidade de vida, pelos compromissos e lutas que tivemos em vida", discursou. Olhando para o caixão, disse: "Esteja certo que é um símbolo dos sem-terra, um símbolo dos lavradores, mas sobretudo é um símbolo da dignidade humana."Os ministros Tarso Genro (Justiça), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Roussef f (Casa Civil), Márcio Fortes (Cidades), José Múcio Teixeira (Relações Institucionais) e Altemir Gregolin (Pesca) também compareceram. Pretto morreu na quinta-feira, aos 63 anos, de pancreatite. Foi enterrado no Cemitério Jardim da Paz.

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