Lula e Dilma fazem agenda em São Paulo com clima de campanha eleitoral

Presidente citou os avanços de seu governo, como a geração de empregos que vem batendo recordes sucessivos nos últimos meses

Lucinda Pinto, da Agência Estado, e Rodrigo Avares, do estadão.com.br

25 de março de 2010 | 16h34

Lula disse ter exigido que as unidades habitacionais tivessem varanda. Foto: Ernesto Rodrigues/AE

 

 

Em clima de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 25, durante inauguração a primeira etapa do conjunto habitacional da Vila Vicentina, em Osasco, que "não existe cidade nesse País que não tenha investimento do governo federal em habitação". Acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT-RS), do prefeito de Osasco, Emídio de Souza e outros petistas, Lula foi ovacionado por aproximadamente 500 pessoas que assistiam à cerimônia sob um sol de aproximadamente 40 graus. Mais cedo, o presidente entregou ambulâncias na cidade de Tatuí (SP).

 

Durante seu discurso, o presidente citou os avanços de seu governo, como a geração de empregos que vem batendo recordes sucessivos nos últimos meses. "Ainda é pouco", disse, acrescentando a importância das mulheres no Brasil terem maior participação no mercado de trabalho. "Mulher trabalhar é sagrado." Ao citar a necessidade de que o trabalho de sua gestão tenha continuidade, ele falou que não poderia citar nomes, porque já foi multado por falar o nome de sua candidata. Com essa colocação, os populares começaram a gritar "Dilma, Dilma, Dilma". E Lula brincou: "Se eu for multado, vou trazer a conta pra vocês. Quem vai pagar?"

 

De improviso, o presidente arrancou gargalhadas do público quando disse ter exigido que as unidades tivessem varanda. "Uma varandinha é o mínimo. Às vezes, a mulher quer dar com o pau do macarrão no marido e ele tem de refrescar a cabeça na varanda", afirmou, referindo-se a varandas que foram construídas nas escadas do prédio. Ele também ressaltou que os apartamentos estão sendo entregues nos nomes das mulheres das famílias, porque asseguram a elas o crescimento digno dos filhos.

 

Dilma em maratona

 

Pouco antes do discurso da ministra, a organização da cerimônia apresentou nos telões um vídeo mostrando todos os investimentos do PAC no Estado - que chegam a R$ 1,2 bilhão. Ao discursar, Dilma fez alusão a um dos slogans do programa quando falou que "o povo brasileiro não está mais esperando", além de mencionar diversos programas do governo Lula, como o ProUni e o Minha Casa, Minha Vida.

 

A petista também fez questão de repetir que quer "construir a esperança de um mundo melhor", declaração feita na manhã desta quinta-feira, em Tatuí, onde participou da cerimônia de entrega de 650 ambulâncias na fábrica da Rontan. Foi o primeiro evento de uma verdadeira 'maratona' da qual participam Dilma e Lula em São Paulo. A ministra fez uma entrega simbólica de chaves para ambulâncias que vão abastecer 573 cidades brasileiras.

 

A afirmação da ministra recupera o bordão que ficou famoso na campanha presidencial de 2002, quando o candidato tucano à Presidência, José Serra, enfrentou o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Neste ano, Dilma deverá enfrentar Serra numa disputa que promete ser bastante acirrada.

 

Saúde

 

A ministra disse que, até o final do ano, o País contará com uma frota de 3,8 mil ambulâncias do Samu. "Sabemos o quanto é terrível você precisar de um atendimento médico e não ter acesso a ele de forma imediata", disse a ministra. "Num País que quer ser grande, a saúde também tem de ser grande", afirmou. Dilma ressaltou ainda que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou a contratação de funcionários públicos na área da saúde e não apenas fornece ambulâncias para governos e prefeituras, mas paga o custeio do serviço.

 

No front tucano, por sua vez, Serra destacou a importância do setor da saúde na criação de empregos no País. "É um setor que emprega muita gente, não apenas médicos, mas profissionais da saúde. Esta é hoje uma frente muito grande de expansão de emprego produtivo no Brasil e em São Paulo", afirmou. De acordo com o governador, o setor emprega 700 mil pessoas somente no Estado de São Paulo. Ele voltou a lembrar em discursos sua experiência como ministro da Saúde do governo FHC para fazer elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS).

 

No fim de janeiro, os petistas que tratam dos problemas da Saúde discutiram a portas fechadas sobre o temor em um confronto entre Dilma e Serra. Menos de uma hora depois de o 4º Congresso Nacional do PT aprovar o projeto de governo para a candidata à Presidência, a reportagem do estadão.com.br flagrou uma reunião na qual um grupo de petistas revelou temor pela fragilidade com que Dilma discute a Saúde e pela "vulnerabilidade" como estão entrando no debate eleitoral.

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