Lula é criticado por negociar aliança "à revelia"

O sinal verde dado pelo pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo presidente do partido, deputado José Dirceu (SP), para que o PL ajude a elaborar o programa de governo petista provocou protestos e ressalvas em setores mais à esquerda do PT. O ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont disse hoje que nem Lula nem Dirceu têm autoridade para antecipar uma decisão que terá de ser tomada por toda a direção nacional.Segundo ele, o PL não se inclui no leque de alianças previsto no encontro - instância máxima partidária - realizado em dezembro. "Essa discussão (sobre a negociação com o PL) vai ter de ser pautada na próxima reunião da executiva nacional", alertou Pont integrante da direção. "O PL está fora do nosso campo de alianças."A reunião da cúpula do partido - em março - deve deixar clara uma disputa de interpretações sobre com que legendas o PT admite se coligar. O texto redigido no encontro previu alianças "com forças da esquerda e do centro" que fazem oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso.Mas a menção ao PL - já cogitada no ano passado - ficou de fora por pressão dos grupos mais à esquerda, entre eles a Democracia Socialista de Pont. O mesmo documento define que a política de alianças terá de ter aval do diretório nacional. O encontro traçou o esboço do programa de governo petista."Quero crer que Lula e Dirceu ao buscarem alianças fora do leque democrático popular não porão em xeque os princípios partidários definidos no encontro. A negação dessas diretrizes representaria a inviabilização da nossa vitória", afirmou o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.Ele admite que a negociação de uma aliança passa necessariamente por adaptações programáticas, mas é outro a destacar o fato de que qualquer mudança terá de ser aprovada pelo diretório. Para Rodrigues, o PL "quer se aproveitar da força eleitoral do PT".Pont diz que os liberais estão longe de provar que são uma força de centro ou esquerda. "Até pouco tempo o PL se apresentava como a versão mais pura do neoliberalismo", criticou, ressaltando que no Rio Grande do Sul os liberais são severos oposicionistas ao PT.Hoje, na segunda escala de visitas a fábricas do grupo Coteminas, no Rio Grande do Norte, Lula prometeu fazer a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) voltar a funcionar. "Não adianta fechar a Sudene e deixar os corruptos soltos", disse.O petista viaja acompanhado do dono do grupo, o senador José Alencar (PL-MG), cortejado pelos petistas para ocupar a vice na chapa. O PL vai decidir só em maio se apoiará Lula ou o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB). Costa Neto disse que há resistência à adesão a Lula em alguns Estados, mas "a maioria apóia a aliança".Os maiores entraves estão nos diretórios do Rio, favorável a um acordo com o PSB, e na Bahia, onde o partido é dominado por seguidores do ex-senador Antonio Carlos Magalhães. "Não podemos interferir", disse Costa Neto.Lula ressaltou que a aliança está sendo construída. "Está na hora de fazermos uma aliança mais ao centro", disse, salientando que PT e PL não precisam abrir mão de princípios e barreiras regionais não atrapalharão. Na prática, os dois partidos ficarão livres para montar seus esquemas. "O PT em vários Estados tem políticas diferentes e vamos respeitar isso. Não queremos mais ser os bonzinhos, temos de diminuir nossos defeitos para ganhar a eleição."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.