Lula e Cabral se irritam com vaias de estudantes no Rio

Presidente ironiza manifestantes, que não têm 'consciência política' por protestar com 'nariz de palhaço'

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

16 de agosto de 2007 | 15h55

Depois das vaias do público na abertura dos Jogos Pan-Americanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), voltaram nesta quinta-feira, 16, a reagir mal a manifestações contrárias do público, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Irritado com a insistência de um grupo que protestava durante a inauguração de uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) em Guarus, bairro pobre da cidade, Cabral pediu que a multidão hostilizasse o grupo, que classificou de "meninos pequeno-burgueses". Coube ao presidente questionar o método do protesto. Veja também:  Lula diz que sofre com 'pequena elite' por cuidar dos pobres  Ouça discurso sobre 'pequena elite'   "Sérgio, você nunca mais fique nervoso com o pessoal que protesta. Porque esse pessoal é tão jovem e tão desprovido de consciência política que vem protestar com nariz de palhaço, quando o palhaço é uma coisa alegre. Eles precisam encontrar outra coisa para protestar porque daqui a pouco vai haver um movimento dos palhaços, que são a alegria de milhões de crianças, contra o comportamento dessa gente", disse Lula, arrancando aplausos da maioria. O grupo era formado por onze professores, funcionários e alunos do Cefet que manifestavam preocupação com a expansão da instituição sem a contratação de novos professores. Alguns carregavam cartazes. Um deles dizia "Fora Renan".  Outro, bem-humorado, afirmava: "Lula, Sócrates brasileiro: Só sei que nada sei'", em alusão ao filósofo grego. Com apitos e gritando palavras de ordem, eles fizeram o governador parar o discurso e dar uma bronca. "São meninos pequeno-burgueses, exercendo o mau humor de quem reclama de barriga cheia. Fiquem quietos e me deixem falar!", ralhou Cabral. Os manifestantes reagiram. "Essa é a forma desrespeitosa com que essas pessoas tratam quem pensa diferente. Desqualificaram-nos, nos chamaram de palhaços", reagiu a professora Guiomar Valdez, uma das manifestantes. "Ele (Lula) não é Deus, não está acima do bem e do mal", afirmou a professora, que ensina História no Cefet há 25 anos. Ela disse ter sido fundadora do PT em Campos e ter abandonado o partido em 1997 ao discordar das mudanças de rumo na legenda. "Não me surpreendi, há muito tempo Lula não tem nada daquele sindicalista", criticou. Biografia do presidente Guiomar se diz preocupada com a falta de professores para o aumento do número de alunos do Cefet sem concurso. O ministro da Educação, Fernando Haddad, que acompanhava Lula, negou que faltem profissionais na unidade e disse que concursos estão planejados de acordo com o crescimento do número de alunos. A Unidade de Ensino Descentralizada (Uned) do Cefet em Campos custou R$ 2,9 milhões e tem capacidade para 1,2 mil alunos. Lula prometeu atingir a marca de 214 novas escolas técnicas no País até o fim do seu mandato. Na cerimônia, o presidente ouviu o discurso do aluno Rogério Batista, de 29 anos, que demonstrou dificuldades de leitura. O presidente confortou o rapaz, que voltou a estudar ao ingressar no curso técnico de mecânica, dizendo que também ficara nervoso e tremera muito ao fazer o seu primeiro discurso, aos 30 anos. Lula recorreu mais uma vez à sua trajetória, dizendo que só se tornara sindicalista e presidente porque sua mãe o matriculou no curso do Senai que o fez torneiro mecânico, para defender a educação como meio de ascensão social. Outro caminho, disse, é o futebol. Lula voltou a reclamar da imprensa, que para ele tem "uma predisposição para notícias ruins" e da oposição, que "torce para a gente errar". O presidente criticou antecessores que tiveram instrução e, na avaliação dele, não retribuíram ao povo. "Esse país já teve muitos generais, engenheiros e doutores. Nada contra os doutores. Até gostaria de ser um deles, mas não dá mais tempo de entrar no Cefet e tirar a vaga de vocês", disse Lula, que brincou de ser aluno com Cabral experimentando carteiras nas salas de aula. "Eu sou o aluno bagunceiro, e o presidente, o estudioso" adulou o governador.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaCabral

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.