Lula e Bush, envolvidos na negociação da Alca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou hoje que asdiscussões entre o Brasil e os Estados Unidos em torno das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) nãopodem se resumir ao nível técnico nem aos interesses econômicos de setores ou corporações. A chave para os entendimentos,ressaltou Lula, está na decisão política dos países envolvidos e, especialmente, no contato mais estreito e freqüente entre asautoridades que tomam as decisões.Conforme relatou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante o encontro na Casa Branca entre Lula e presidenteGeorge W.Bush, ambos concordaram que a liberalização comercial será uma alavanca essencial para o crescimento de seus países ereforçaram seus compromissos de concluir essas negociações da Alca até 1.º de janeiro de 2005."Estamos estabelecendo um momento importante. Em uma discussão bilateral não pode prevalecer os interesses econômicosespecíficos de nenhuma corporação nem de nenhum setor econômico, mas os das duas Nações", afirmou Lula. "Estou convencido que temos condições de quebrar todas as barreiras que existem se tivermos paciência e perseverança. O grande problema é que os políticos se encontram pouco e discutem pouco. Muitas vezes, os assuntos são discutidos apenas do ponto de vista técnico, mas é preciso que haja a decisão política de que queremos que tal coisa aconteça."De acordo com o relato de Amorim, que esteve presente no encontro reservado entre Lula eBush, os detalhes sobre as negociações não foram tratados em nenhum momento durante a conversa. O chanceler, entretanto,esclareceu que o detalhamento da proposta fechada há duas semanas pelos Estados Unidos e o Brasil, que co-presidem essasnegociações, deverá ser concluído até a reunião ministerial da Alca, em novembro deste ano. Qualificada como "ambiciosa", essa proposta põe uma dose de pragmatismo nas negociações e poderá destravar seusprincipais obstáculos. Apresentada a outros 12 países da Alca na semana passada, em Maryland, nos Estados Unidos, esse projeto prevê que os temas mais sensíveis da agenda do acordo multilateral sejam deslocados para as negociações da RodadaDoha da Organização Mundial do Comércio (OMC). No caso americano, tratam-se das questões relacionadas aos subsídios agrícolas e às medidas antidumping. No caso do Brasil,de tópicos dos capítulos sobre investimentos, compras governamentais, serviços e propriedade intelectual. A negociação sobreacesso a mercados - o tema mais ambicionado pelo País - será resolvido de forma direta entre os Estados Unidos e o Mercosul,dentro da mesma Alca.Segundo Amorim, houve uma recepção positiva dos 12 países a essa abordagem, que evitará que a Alca acabe amarrada emquestões metodológicas. Hoje, entretanto, não estava presente ao encontro o principal negociador americano, Robert Zoellick,representante dos Estados Unidos para o Comércio, o que impediu uma conversa de maior substância sobre a Alca. Amorimdeverá encontrar-se com Zoellick em duas reuniões no Oriente Médio entre hoje e amanhã - a miniministerial da OMC emSharm-El-Sheik, no Egito, e o Fórum Econômico Mundial, em Aman, na Jordânia.Para ler mais sobre a cúpula Brasil-EUA: » Lula e Bush elevam patamar de diálogo entre Brasil e EUA » Palocci considera factível queda dos juros para um dígito » Lula comenta nos EUA a morte do segurança de seu filho » Lula diz que redução da taxa de juros é sonho pessoal » Palocci e Snow criam grupo de trabalho para crescimento » Transgênicos e parcerias são destaques na cúpula Brasil-EUA » Lula e Bush trocam elogios » Lula e Bush se reúnem na Casa Branca Os preparativos » Alca é prioridade para autoridades do Brasil e dos EUA » Brasil e EUA assinarão cinco acordos » EUA e Brasil deverá liderar a criação da Alca » Após ver Bush, Lula terá encontro com o chefe do FMI

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