Lula é alvo de protesto na Itália

Manifestantes afirmam que o presidente é defensor de terroristas

AFP e Reuters, Roma, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

Em meio às sucessivas reações do governo italiano à concessão do refúgio ao extremista Cesare Battisti, um senador roubou a cena ontem ao protestar em frente à embaixada brasileira em Roma. Com uma corrente enrolada no peito, Stefano Pedica, do partido Italia dei Valori, segurava alternadamente dois cartazes. O primeiro dizia "Lula defende terroristas". O segundo insinuava que o Brasil estaria disposto a conceder refúgio a qualquer terrorista. "Bin Laden, peça asilo no Brasil", dizia o cartaz, em referência ao líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, apontado como o autor dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Ao lado do senador italiano, outra manifestante estava estirada no chão, representando uma das supostas vítimas de Battisti. O protesto ocorreu apenas um dia após o governo italiano ter anunciado a intenção de convocar seu embaixador no Brasil, num claro sinal de protesto à decisão brasileira de conceder refúgio a Battisti, tomada na semana passada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Ontem, o ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, afirmou que ainda espera que o presidente Lula derrube a decisão. "Nós estamos aguardando a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quero ler a carta que ele enviou e espero que ele exerça todo o seu poder para impugnar a decisão do ministro da Justiça", disse Frattini, em entrevista à rede Sky TG24. O chanceler se referia à resposta encaminhada por Lula ao presidente italiano Giorgio Napolitano, que se queixou em carta da concessão da proteção ao extremista. Ao justificar a expectativa de que a decisão seja revista, Frattini apoiou-se no fato de Tarso ter contrariado o parecer do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o caso. "Parece que o ministro da Justiça brasileiro não levou em conta a opinião do procurador-geral do Brasil. É um elemento novo", disse. O chanceler também voltou a dizer que o governo italiano planeja apresentar um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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