Lula e Aécio desconversam sobre impasse da CPMF

Presidente diz que ia 'conversar sobre a questão , mas o governador 'o lembrou que não era senador'

Raquel Massote e Eduardo Kattah, do Estadão

07 de novembro de 2007 | 16h12

Indagado se chegaria a um acordo sobre a prorrogação da cobrança da CPMF com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desconversou nesta quarta-feira, 7,  sobre uma eventual saída para o impasse nas negociações entre governo e senadores tucanos, respondendo com a seguinte frase: "Eu ia falar, mas ele (Aécio) me lembrou que não é senador. Estou tentando convencer ele a ter um cargo no Senado." O governador mineiro comentou de imediato: "Ele não precisa, porque está cheio de voto lá (no Senado)."     Irritado com os senadores tucanos, que rejeitaram a proposta do Planalto, era esperado que Lula pedisse a Aécio e ao governador de São Paulo, José Serra, ambos do PSDB, que entrem na negociação. Além disso, o governo fará acenos para compensar Estados e municípios atingidos pela desoneração do Imposto de Renda.    Veja Também:    Entenda como é a cobrança da CPMF  Veja a proposta do governo sobre a CPMF apresentada ao PSDB PSDB encerra negociação e decide votar contra CPMF PSDB recusa proposta do governo de isentar CPMF até R$4.340   Lula está em Belo Horizonte para a inauguração da primeira etapa do Centro Metropolitano de Especialidades Médicas, antigo Cardiominas, cujas obras estavam paralisadas desde 1990 e foram retomadas apenas em 2002, depois de uma parceria firmada entre os governos federal, estadual e municipal.   Ao desembarcar na base aérea de Pampulha, teve uma conversa de 10 minutos com Aécio, compartilhada também pelos ministros Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, Walfrido Mares Guia, das Relações Institucionais, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e José Temporão, da Saúde, além do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).     Margem apertada     Pressionado pelo PSDB e com margem muito apertada de votos para aprovar a prorrogação da CPMF no Senado, o governo vai desencadear uma operação de guerra, nos próximos dias, na tentativa de salvar o imposto do cheque. Segundo reportagem do Estado desta quarta,o Planalto corre contra o tempo para evitar que a Executiva Nacional do PSDB feche questão contra a CPMF, na próxima semana. Lula vai se reunir hoje com Aécio, em Belo Horizonte (MG), onde discutirá alternativas para superar o impasse. Em conversas reservadas, o presidente disse que Serra e Aécio - os dois pré-candidatos do PSDB à sucessão presidencial, em 2010 - precisam ter a "responsabilidade" de ajudar a aprovar o imposto.No Planalto, ministros diziam ontem que os dois podem rachar a base tucana. Na prática, porém, os articuladores do governo estão muito preocupados e a ordem é cortejar o PSDB. "Não é o fim do mundo, mas a situação não está nada fácil", admitiu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "O ambiente endureceu e é preciso desanuviar", resumiu o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC).

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