Lula diz ter 'aptidões socialistas', mas se diferencia de Chávez

Sempre arredio em declarar suaideologia política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silvadisse nesta quarta-feira se considerar um político com"aptidões socialistas". Ele rechaçou, no entanto, que osocialismo seja aplicado por meio do uso da força e procurou sediferenciar das práticas empregadas pelo presidente venezuelanoHugo Chávez. "Eu acho muito ruim a gente ficar com carimbo na testa doque a gente é", ponderou Lula em entrevista ao SBT Brasiltransmitida ao vivo. "Eu poderia dizer que me considero um homem com aptidõessocialistas muito fortes. Agora, esse socialismo é um projetode uma conquista da sociedade e não uma imposição de umgoverno. Não é possível fazer um socialismo por decreto, pormedida provisória", afirmou. Nos anos 1980, quando disputou o governo de São Paulo peloPT, Lula fugiu à mesma questão dizendo que era torneiromecânico, sua profissão. Quando questionado sobre se a Venezuela seria um exemplo deimposição do socialismo, Lula disse que respeita a soberania dopaís. "A Venezuela tem uma historia muito singular, é importantea gente conhecer o que era a Venezuela antes e agora. AVenezuela está conquistando uma cidadania. Se nós temoscríticas ao processo democrático, ao comportamento do Chávez, éuma outra questão, o que eu respeito é a soberania de cada paísdecidir o que é melhor para ele", disse. Ele ponderou que os venezuelanos terão em dezembro umreferendo sobre mudanças constitucionais, entre elas areeleição ilimitada do presidente, que deverá resultar em umprocesso democrático. O presidente disse ainda que não está preocupado com arecente compra de armamento pela Venezuela e sim com adeterioração do sistema de defesa brasileiro. "O problema não é a Venezuela estar se armando. O grandeproblema é o Brasil, que nos últimos 30 anos permitiu que onosso sistema de defesa se deteriorasse. Nós tínhamosindústrias de defesa que foram sucateadas. Nós agora estamostentando recuperar", ponderou ao jornal da Rede TV, para o qualtambém concedeu entrevista. PFL x CPMF Lula disse estar confiante na aprovação da prorrogação daCPMF pelo Senado e afirmou que os opositores à medida são opartido Democratas, que chamou pelo antigo nome de PFL, e ossonegadores de impostos. "O PFL tem toda a razão de estar radicalizado, é um partidosem perspectiva de poder, tem apenas um governador, do DistritoFederal, que é favorável à CPMF e tem sido parceiro importantedo governo federal", disse à Rede TV. Já o PSDB, acredita, tem perspectiva de poder ("é o partidoque mais tem candidatos à Presidência da República") e seusatuais governadores defendem a medida, o que levaria o partidoa refletir e optar pela aprovação da CPMF. Ele negou que o governo tenha liberado recursos das emendasdos parlamentares com vistas à votação do imposto, mas ao mesmotempo disse que não é crime nem é proibido liberá-las.(Por Carmen Munari)

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