Lula diz que Waldir Pires fica no Ministério da Defesa

O presidente Luiz Inácio Lula da silva afirmou nesta quarta-feira, 4, que não vai substituir o ministro da Defesa, Waldir Pires. "Não tem troca de ministro. A reforma ministerial acabou". Em seguida, o presidente completou recorrendo ao portunhol: "Se queden tranquiles". Lula fez tal comentário em uma rápida conversa com jornalistas, após o almoço no Palácio do Itamaraty com o presidente do Equador, Rafael Correa. Essa não foi a única vez que Lula apelou para a mistura do português com o espanhol. Ao ser questionado sobre a probabilidade de instalação da CPI do Apagão Aéreo, o presidente reagiu com bom humor: "é preciso esperar decisão da Suprema Corte brasileña", referindo-se ao Supremo Tribunal Federal. A substituição de Waldir Pires vinha sendo cogitada desde a greve dos controladores de vôo, na última sexta-feira. O ministro está fragilizado devido às sucessivas crises no setor aéreo. Mas Lula foi enfático sobre a permanência dele na Defesa, pelo menos por enquanto. "Ministro sou eu que ponho, sou eu que tiro. Se algum dia tiver que tirá-lo, tirarei. Por enquanto, não é esta questão", afirmou.O presidente reconheceu que a questão aérea deveria ser uma responsabilidade da Aeronáutica desde o começo. "O comandante (Juniti) Saito sabe dos problemas mais do que ninguém e como encontrar uma solução", disse. Lula evitou avaliar o papel do ex-comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, no episódio. Em conversas reservadas, Lula teria feito críticas à atuação de Bueno que não teria informado sobre as deficiências na área de controle de vôos."Queremos reconstruir um clima de respeito à hierarquia e de disciplina e que as pessoas saibam a sua função. Não podemos permitir que se coloque em risco a segurança das pessoas. "Sobre a punição dos controladores que se amotinaram na última sexta-feira, o presidente observou que o Ministério Público Militar entrou com um pedido de Inquérito Policial Militar (IPM). "Vamos aguardar a apuração. O governo não vai punir ninguém e não vai punir mesmo. Até porque longe de mim de punir alguém", sem fazer referências ao pedido de anistia apresentado pelos controladores de vôo em negociação com o governo na última sexta-feira, dia do motim. ´Paz e normalidade´Lula disse estar confiante que os aeroportos terão "paz e normalidade" não só no feriado da Semana Santa, mas daqui para frente. "Já é desconfortável andar de avião. Eu, como muita gente, tenho medo de andar de avião e ando porque sou obrigado", disse. E completou: "se você já tem medo e chega no aeroporto (com os problemas de atraso de vôos), essa tensão é elevada à quinta potência. A pessoa fica à beira de um enfarto. É preciso cuidar das pessoas com carinho".Lula disse que os controladores de vôo devem ser respeitados como profissionais mas precisam compreender o que está acontecendo no Brasil. "Estou confiante que todo mundo que está envolvido com a questão dos aeroportos esteja de prontidão para que a gente não permita mais sofrimentos". Caos aéreoNa última sexta-feira, os controladores de vôo entraram em greve e pararam os aeroportos do País por pelo menos cinco horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava em viagem a Washington e nomeou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para negociar com os grevistas. Além de nomear um civil para administrar o caos, Lula proibiu o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, de prender os controladores, o que desencadeou uma crise por quebra na hierarquia militar. Não demorou muito para o presidente recuar. Pressionado pelos militares, Lula desfez a promessa de abrir negociação salarial com os controladores e rever eventuais punições. O comando também voltou para a Aeronáutica.O presidente ainda endureceu o tom: se pararem novamente, os controladores receberão voz de prisão e os sargentos da Defesa Aérea assumirão seus postos no controle dos aviões. Acuados, os controladores já avisaram que não haverá paralisação na Semana Santa, mas ameaçam aumentar a temperatura do caos aéreo após a Páscoa. Sobre as punições, o motim da última sexta-feira resultou em pelo menos três Inquéritos Policiais Militares (IPMs), abertos pelo Comando da Aeronáutica em Brasília, Curitiba e Recife. Um quarto IPM poderá ser instaurado ainda no Recife. Texto ampliado às 17h53

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.