Lula diz que terá cautela ao se comparar com antecessores

Em mais uma de suas insistentes metáforas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, 15, em pronunciamento para oficiais-generais no Clube do Exército, que, no segundo mandato, ele próprio é "a vidraça" e, por isso, será mais cauteloso ao jogar pedras, referindo-se em fazer apenas comparações entre seu dois mandatos, não comparando com os de seus antecessores. "Agora, vou fazer discursos comparando o segundo mandato com o primeiro. Agora, a vidraça sou eu, de mim para eu mesmo. Jogarei as pedras, portanto, com mais cautela", disse ele. No discurso aos oficiais, o presidente pediu o apoio das Forças Armadas na busca do desenvolvimento econômico do País. Ainda no almoço com oficiais, Lula afirmou que a prioridade de seu segundo mandato será a busca do crescimento econômico. "Eu não estou disposto a passar mais quatro anos discutindo miséria, pois, em casa onde não tem pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Quero discutir crescimento. Se não crescer, a gente não vai a lugar algum. Há 26 anos, a economia brasileira não cresce", reiterou. Lula voltou a afirmar que seu governo não abrirá mão de "uma política fiscal rígida e do controle da inflação." O presidente afirmou que o almoço desta quinta, próximo ao Natal, é uma oportunidade para compartilhar com eles o desafio de fazer a economia crescer. "Se a gente não fizer mais do que no primeiro mandato, a frustração pode ser ainda maior na sociedade. Depois de quatro anos, a gente descobre o caminho das pedras." Além de Lula, participaram do encontro no Clube do Exército os ministros da Defesa, Waldir Pires, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além dos três comandantes militares - general Francisco Albuquerque (Exército), Luiz Carlos Bueno (Aeronáutica) e almirante Roberto Guimarães Carvalho. Comparações O presidente, embora tenha reafirmado que não fará mais comparações entre seu atual governo e os de seus antecessores, voltou a fazê-las. Mas nesta sexta-feira, ele criticou dois dos presidentes do regime militar - os generais Emílio Garrastazu Médici (1968 a 1973) e Ernesto Geisel (1974 a 1979) - o primeiro, por não ter, segundo ele, feito distribuição de renda como teria ocorrido no seu primeiro mandato (2003 a 2006); o segundo, por ter deixado a dívida externa, enquanto ele (Lula) pagou o débito com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente lembrou que Médici fez o País crescer a uma taxa de até 13,4% ao ano, durante o chamado "milagre brasileiro", mas sem distribuir renda. Já Ernesto Geisel, segundo Lula, foi o último presidente do Brasil a fazer investimentos em infra-estrutura, mas deixou "o pepino" da dívida externa, contraída para fazer investimentos no chamado "Brasil Grande".

Agencia Estado,

15 Dezembro 2006 | 16h47

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