Lula diz que sucessor terá de 'trabalhar muito' para manter 'novo paradigma'

"Quem vai querer ficar para a história como quem fez menos que um torneiro mecânico?", pergunta Lula, ao dizer que seu sucessor terá de fazer mais

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 17h10

CARUARU - De camisa vermelha e com a primeira-dama do Estado, Renata Campos, a tiracolo, o presidente Lula disse nesta sexta-feira, 27, em Caruaru, no agreste, a 130 quilômetros do Recife, que o seu governo mudou paradigmas e que quem o suceder terá de trabalhar muito.

 

"Aprendemos o caminho das pedras e daqui para a frente ninguém volta para trás nesse país", afirmou para em seguida, indagar: "quem vai querer ficar para a história como quem fez menos que um torneiro mecânico?"

 

A presença de Renata, sempre ao seu lado, foi explicada com uma forma de dar presença ao governador-candidato Eduardo Campos (PSB), proibido pela legislação eleitoral de participar dos dois compromissos institucionais de Lula na cidade: entrega da sede do campus do agreste da Universidade federal de Pernambuco (UFPE) e inauguração do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFPE), cujos cursos técnicos começam a ser ministrados nesta segunda-feira, 30.

 

Eduardo e Renata receberam o presidente, no final da manhã, no aeroporto do município. Tido como "queridinho" do presidente Lula e com 67% da preferência do eleitorado pernambucano, de acordo com a última pesquisa Datafolha (seu principal oponente, o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, tem 19%) - Eduardo seguiu, com a mulher, no carro do presidente até o local do seu primeiro compromisso. O presidente normalmente anda sozinho no carro, acompanhado apenas de um segurança. Nem ministro costuma ter essa deferência.

 

A quebra na regra da segurança foi quebrada a pedido do próprio Lula. Com pouco tempo livre na extensa agenda que antecedeu o megacomício da noite, no Marco Zero, no Recife, em torno da candidata petista Dilma Rousseff, o presidente e o governador aproveitaram os intervalos entre os compromissos para atualizarem conversa e estratégia.

 

Aclamado pelos futuros estudantes do IFPE, Lula reforçou que o Nordeste brasileiro nunca recebeu tantos investimentos como no seu governo. Observou que hoje, ao se chegar em cidades do interior nordestino, as pessoas "pedem universidades e escolas técnicas". Lembrou porém, não ter discriminado outros Estados ou regiões. "Não queremos mais ser tratados como parte inferior do País, queremos ser iguais", afirmou o presidente, depois de desfiar empreendimentos que o governo federal realiza em Pernambuco e na região.

 

O momento mais emotivo da programação ficou com a futura estudante do curso técnico de Segurança no Trabalho da IFPE, Rosângela Ximenes. Ao lado do filho Marcelo, de 21 anos, que faz faculdade, ela falou da dificuldade de criar sozinha os dois filhos e da impossibilidade de estudar por ser pobre. Conseguiu que os dois entrassem na universidade e agora vai se profissionalizar. Lula se emocionou.

 

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Ian Evanovich, um dos oradores, agradeceu ao presidente por ter cumprido todos os 13 compromissos assumidos com a instituição ao ser eleito pela primeira vez. O ministro da Educação, Fernando Haddad, aproveitou a deixa para fazer uma reflexão sobre as críticas a movimentos sociais que aplaudem o presidente e por isso são chamados de "chapa branca": "o movimento social adere ao governo ou o governo aderiu ao movimento social?", indagou ele ao acrescentar: "o que está em disputa é quem será capaz de levar à frente a agenda do presidente".

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