Lula diz que sofre com 'pequena elite' por cuidar dos pobres

'No Brasil, tem gente que fica horrorizado quando o governo cuida dos mais necessitados, afirma presidente

Eduardo Kattah, do Estadão,

16 de agosto de 2007 | 14h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou nesta quinta-feira, 16, a política de seu governo para a área de educação e disse que enfrenta a oposição de uma "pequena elite". "No Brasil, tem gente que fica horrorizado quando o governo cuida dos mais necessitados", afirmou.  Veja também:  Ouça discurso sobre 'pequena elite'   Lula ainda criticou os antecessores, alegando que eles não tiveram a preocupação com a ampliação da oferta do ensino universitário. "Como só governou o País quem já tinha diploma universitário, possivelmente ele não tivesse a preocupação com aqueles que não tinham diploma universitário, porque ele já estava formado", disse o presidente. Lula pregou que é necessário "cuidar da sociedade como um todo", mas "dos mais pobres em primeiro lugar". "Fazer escola para pobre, fazer escola para os setores médio da sociedade, tem gente que não gosta, porque habitualmente o Brasil era governado para uma pequena elite, que tinha acesso à universidade, que tinha acesso a bolsa no exterior". Aproveitando o assunto, ele mais uma vez defendeu o Bolsa-Família e classificou as críticas dirigidas ao programa como "preconceito". "Veja que absurdo: Tem gente que critica o Bolsa-Família como um programa assistencialista, porque a gente está dando o direito de os mais pobres comerem. Agora, essas mesmas pessoas que criticam uma Bolsa-Família, não criticam uma bolsa de US$ 2 mil que a gente paga para um doutor se formar no exterior", disse. "Não podemos aceitar o preconceito contra a bolsa que a gente dá para as famílias mais pobres comer o feijão que precisa comer todo dia". Mão-de-obra No palco, ao lado dos ministros Fernando Haddad (Educação), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), além do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), Lula concentrou seu discurso no tema educação. Falando aos jovens - a grande maioria do público que assistiu à solenidade -, ele disse que a economia brasileira "está bem", mas o País ainda carece de mão-de-obra qualificada. "Em seis meses, nós geramos 1,2 milhão de empregos", afirmou. "E, portanto, é urgente formar a nossa mão-de-obra". Para o presidente, apesar da dificuldade de inserção no mercado de trabalho, um rapaz de 15 ou 20 anos precisa ser ousado e "não tem o direito de reclamar que as coisas estão ruins". "Porque a vida toda ele ainda tem para vencer os obstáculos", disse. "Não pode ter preguiça para estudar, porque a preguiça de hoje será a desgraça de amanhã". Lula utilizou sua trajetória até a Presidência da República como exemplo ao ressaltar a importância de uma profissão para a independência das pessoas. Disse que sua vida mudou a partir de um curso profissional e chegou a afirmar que "uma mulher não pode casar e ficar dependendo do salário do marido".  Sonho Acusando uma dívida do País com a educação e a sua juventude - "São milhões de jovens fora da universidade" -, Lula recorreu a Haddad para prometer a entrega de 214 escolas técnicas ao final de seus oito anos de governo. "Em 97 anos foram criadas 140 escolas-técnicas", comparou. "Vamos gastar, e quando eu digo gastar é fazer investimento, para que a gente possa recuperar o tempo perdido". Uma extensão do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Ouro Preto, a unidade de Congonhas recebeu investimentos de R$ 2,43 milhões do governo federal e tem capacidade para atender cerca de mil alunos.  Ainda falando da formação educacional dos jovens, Lula contou um sonho que teve na noite anterior com a imagem de sua mãe ainda criança. "Nunca vi minha mãe criança, nunca vi foto dela, não sei como é que ela era. Eu sei que eu sonhei com a minha mãe criança e ela parecia a minha irmã caçula". O presidente interpretou o sonho como um "alerta". "Ela (a mãe) me apareceu jovem para que eu tivesse certeza de que eu preciso dedicar esses três anos e meio de mandato pela frente para fazer com os jovens deste país aquilo que minha mãe não conseguiu fazer por mim, que é ter acesso, a possibilidade de ter um curso universitário".

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