Lula diz que seu governo só tem comparação com o de Getúlio

Presidente pede aos ministros que tenham os projetos sociais do governo como 'livro de cabeceira'

Tânia Monteiro, do Estadão,

30 de agosto de 2007 | 19h10

Na segunda reunião ministerial do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu de maneira explícita como quer governar até 2010 e como quer entrar para a história. "O legado do nosso governo é a consolidação das políticas sociais", disse Lula, acrescentando que suas realizações nessa área "só terão comparação com as do (governo do presidente) Getúlio Vargas".   Governo aumentará auxílio do Bolsa-Família em 18,25% Houve apenas uma referência rápida ao processo dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal (STF): "Ninguém se sinta constrangido. É coisa natural da democracia. Ninguém foi inocentado nem condenado. Cada um vai se defender. Como eu dizia quando eu era sindicalista, a luta continua". O presidente pediu enfaticamente aos ministros e parlamentares da base aliada que tenham "os projetos sociais do governo como livro de cabeceira". Disse, ainda, que todos têm de "defender o processo de transformação social do País." Pediu que fizessem propaganda do fato que seu governo tirou 8 milhões de famílias da miséria. Ao final da reunião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) coroou o discurso do presidente com a informação de que o País está implantando um novo modelo de crescimento, o "modelo social-desenvolvimentista". Explicou: "Crescimento econômico vigoroso combinado com distribuição de renda e redução da pobreza". Na prática, os efeitos do discurso do presidente, na abertura da reunião ministerial, na Granja do Torto, que durou cerca de 8 horas, vão aparecer no orçamento social para o ano que vem com a ampliação do Bolsa-Família, a criação de um novo programa, o Territórios da Cidadania (leia reportagem nesta página), e o lançamento no próximo dia 5 dos quatro "Eixos" da agenda social". Ao todo, a agenda social de 2008 vai ganhar R$ 4,7 bilhões a mais no Orçamento de 2008, com os investimentos passando de R$ 11,7 bilhões para R$ 16,5 bilhões - nem todo o gasto vai ser explicitado no Orçamento Geral da União que será entregue ao Congresso nesta sexta-feira. O governo vai incluir 1,75 milhão de jovens no Bolsa Família a partir do ano que vem. A ampliação do programa, só com o aumento da idade-limite dos jovens atendidos, de 15 para 17 anos , vai custar cerca de R$ 38 milhões por ano. O governo diz que ampliou a idade dos jovens para estancar a evasão escolar, uma vez que a metade deixa a escola antes de completar as oito séries do ensino fundamental. Com a defasagem escolar, a maioria dos jovens ainda não terminou a 8ª série aos 15 anos, quando o pagando deixava de ser feito. O governo ainda analisa a criação de um bônus para os jovens do Bolsa Família que terminarem o ensino fundamental e o ensino médio. O piso e o teto dos benefícios do Bolsa Família também tiveram o reajuste confirmado, dos atuais R$ 15 e R$ 95 para R$ 18 e R$ 102. Numa analogia com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que lançou os "Eixos do Desenvolvimento" voltados para a infra-estrutura, o presidente Lula e seus ministros anunciaram ontem os "Eixos Sociais": redução da desigualdade, cultura, direitos de cidadania e juventude. O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) anunciou que dentro desses eixos, o governo dará destaque a "programas de emancipação das famílias" por meio da geração de renda, capacitação profissional, cooperativismo, ampliação da aquisição de alimentos produzidos dentro do Pronaf (agricultura familiar) Cinco ministros fizeram apresentações: Mantega falou sobre a situação econômica, Dilma Rousseff (Casa Civil) sobre o PAC, Nelson Jobim (Defesa) fez um balanço do setor aéreo, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, falou sobre os programas sociais, e Franklin Martins (Comunicação Social) de uma espécie de aula sobre imprensa, comunicação e papel do jornalista.  (Colaboraram Fabíola Salvador e Christiane Samarco, do Estadão)

Tudo o que sabemos sobre:
LulaBolsa-família

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.