Lula diz que seu governo só poderá ser comparado ao de Vargas

Na reunião ministerial destaquarta-feira na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lulada Silva afirmou que, em termos de avanço do país, seu governosó poderá ser comparada ao período do ex-presidente GetúlioVargas, que governou duas vezes o Brasil, de 1930 a 1945(metade sob ditadura) e de 1951 a 1954. "O legado do meu governo será a consolidação das políticassociais. As realizações sociais, econômicas e políticas dessegoverno só serão comparáveis com o governo Vargas", disse Lulana reunião, segundo relato do ministro da Comunicação Social,Franklin Martins. Em uma entrevista coletiva após a reunião ministerial, quedurou cerca de oito horas, incluindo o almoço da equipe com opresidente, Franklin Martins disse que Lula considera o país"institucionalmente sólido", o que estaria contribuindo paraenfrentar a atual turbulência dos mercados. "As instituições funcionam plenamente, a imprensa é livrepara falar o que quer, as decisões políticas são sólidas,porque são fruto de um debate maduro", disse o ministro aosjornalistas. Na reunião, Lula recomendou aos ministros e parlamentaresda base governistas que estudem a "agenda social" do governo,com metas para melhorar o desempenho do segundo mandato emrelação ao primeiro. Disse também que a agenda deve ser "olivro de cabeceira" dos aliados. DESEMPENHO ECONÔMICO "Temos um processo de desenvolvimento sustentado do pontode vista econômico, político e social. Em outras épocas issonão ocorria", acrescentou Franklin Martins. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou dadossobre a evolução do consumo interno e de aumento da oferta decrédito à pessoa física, para argumentar que o país está "emuma nova dinâmica de crescimento", que seria menos vulnerável aturbulências, como as que vêm atingindo os mercados financeirosinternacionais. "Criamos um círculo virtuosos da produção. O mercadointerno cresce à base de 13 por cento ao ano, este foi oaumento do consumo no país", disse Mantega. Mesmo traçando um cenário otimista, o ministro da Fazendaadmitiu que pode haver "uma pequena redução do comércioexterior" com conseqûencias para a economia. "O Brasil passará por essa turbulência, que pode duraralguns meses, sem ser afetado. Na pior das hipóteses, poderemoster uma pequena redução do crescimento da economia em 2008",disse Mantega. O ministro da Fazenda voltou a mostrar confiança em umaredução do déficit nominal a zero nos próximos dois anos ecorrigiu duas previsões de gastos públicos anunciadasoficialmente esta semana. Primeiro, negou que a proposta de Orçamento da União para2008 que será enviada ao Congresso na sexta contenha um aumentode 4,7 bilhão de reais em programas sociais, como havia sidoinformado pela Secretaria de Imprensa da Presidência.O número, que elevaria os gastos com alguns programas como oBolsa-Família para 16,5 bilhões de reais seria apenas umaestimativa e sua execução dependeria de revisões do Orçamentopor meio de aumento de receita e emendas de parlamentares. Depois, Mantega negou que o governo tenha tomado a decisãode liberar 2 bilhões de reais contingenciados no Orçamento de2007 para gastos com Saúde, como havia sido informado nareunião do Conselho Político dos partidos aliados, nasegunda-feira. "De concreto, estamos estudando", afirmou o ministro sobrea eventual liberação de recursos.

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