Lula diz que seqüestro é 'abominável' e compara PT às Farc

Em Cuba, presidente diz que 'inocentes' não podem pagar por 'disputa política'.

Denize Bacoccina, BBC

16 Janeiro 2008 | 07h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o seqüestro é "abominável" e comparou a trajetória do Partido dos Trabalhadores (PT) à das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)."É abominável essa história de seqüestro", afirmou o presidente, durante visita a Cuba. "Você fazer com que pessoas inocentes paguem o preço da tua disputa política não é admissível por qualquer ser humano do mundo." "Eu não admito a história de seqüestro, acho que é uma coisa que não pode ser aceita por nenhum ser humano de juízo perfeito no mundo", acrescentou Lula em entrevista à imprensa brasileira em Havana.O presidente comparou a trajetória do PT, que ajudou a fundar em 1980, com a das Farc, que utilizam a luta armada e não disputam eleição na Colômbia."Eu acho que eu fiz uma opção pela democracia. Eu construí um partido e, em 20 anos, cheguei a Presidência da República", afirmou. "A Farc fez uma opção, já está há 40 anos. Eu acho que está na hora de a gente estabelecer conversas com outros setores da sociedade."Chávez e UribeLula disse que o Brasil está disposto a contribuir para uma negociação que permita a libertação de mais reféns e a retomada do diálogo entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez.Duas reféns foram libertadas na semana passada e entregues pelas Farc a Chávez. De acordo com o grupo guerrilheiro, a medida foi um gesto em desagravo pelo afastamento do presidente venezuelano das negociações para a libertação de um grupo maior de prisioneiros. As Farc mantêm mais de 700 pessoas reféns em seus acampamentos no interior do país.Lula disse que conversou com os dois presidentes, que trocaram acusações durante o processo de libertação das reféns."Penso que os dois, como chefes de Estado, não podem ficar afazendo cara feia um para o outro", disse. "Quando você assume o papel de chefe de Estado tem que pensar nos interesses coletivos, nunca nos interesses pessoais, e acho que é isso que norteia tanto a cabeça do Chávez quanto a cabeça do Uribe."Lula evitou responder uma pergunta sobre como as Farc devem ser tratadas, se como grupo terrorista ou insurgente."O Brasil não é um terrotório de classificação de tendência política ou de luta armada", afirmou o presidente. "O Brasil segue sempre a orientação da ONU."Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia dito que o único grupo classificado pelo Brasil como terrorista é a Al-Qaeda, seguindo o critério da ONU.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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